expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Translate

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

SOCIEDADE E EDUCAÇÃO: Resumo do texto "O que é Educação. Ed. 26"





                                                                                                          Pedro Samuel de Moura Torres






In: BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. Ed. 26, São Paulo: Brasiliense. 1991. p. 1-117;

 

A obra “O que é educação” de Carlos Rodrigues Brandão aborda sobre o tema da educação do qual precisamos compreender dentro do processo de desenvolvimento em que nos achamos. A conceituação da palavra educação através da História encontra-se com uma imensa carência na sua exatidão, pois a mesma está presente em todos os lugares e dos mais variados conceitos, de acordo com o texto estudado. Em alguns marcos mais importantes do livro percebe-se que no início ele arrisca-se a aproximar-se do sentido do termo educação em sua abrangência e multiplicidades de sentidos, se obtendo de modo bem transparente as suas possíveis variações.

O texto nos conduz a entender que não há apenas um molde de educação, mas que existem vários padrões. Essa ideia ficou evidente ao ler-se a carta escrita pelos índios respondendo ao convite do governo dos Estados Unidos quando lhe proporam de enviarem alguns jovens da aldeia para estudarem e se civilizarem nas escolas dos brancos, a resposta foi uma oposição, replicando que embora a educação dos brancos não inutilizasse os seres humanos, mas para seu contexto indígena aqueles conhecimentos de nada serviriam. Nesse caso o papel da educação é acatar com as necessidades de um determinado bando social, do qual o educando faz parte. No livro não se intencionou destrinchar do que a educação serve, mas se demonstrou que a sua utilização é imprescindível para a formação humana, visto que os estudiosos da área concentraram a educação como dependente das necessidades de um grupo.   

Dede as mais remotas civilizações se concebia a ideia de que a educação é essencial para o desenvolvimento do cidadão, que é necessário se educar. O discurso utilizado no texto foi elaborado de maneira fácil a ser aprendido e analisa detalhadamente e cronologicamente sobre o tema. Dessa forma o autor ressalta a importância da educação que desde a antiguidade era cultuada a fim de formar sujeitos competentes para a inserção e permanência na sociedade.    
 
Nas primeiras paginas Carlos Rodrigues Brandão declara que a educação se encontra em todas as sociedades até mesmo aonde não há escolas ou modelos de ensino formal, em tais sociedades se transmitem seus legados de saberes e conhecimentos de gerações a gerações. Os animais aprendem pelo instinto e pela convivência com os da mesma espécie imitando e seguindo os comportamentos dos mesmos. Enquanto que o bicho homem com sua consciência utiliza-se do aprender e ensinar sistematicamente e profissionalmente para a educação. Como relata Werner Jaeger, ao estudar a educação na Grécia:

A natureza do homem, na sua dupla estrutura corpórea e espiritual, cria condições especiais para a manutenção e transmissão da sua forma particular e exige organizações físicas e espirituais, ao conjunto das quais damos o nome de educação. Na educação, como o homem a pratica, atua a mesma força vital, criadora e plástica, que espontaneamente impele todas as espécies vivas à conservação e à propagação de seu tipo. É nela, porém que essa força atinge o seu mais alto grau de intensidade, através do esforço consciente do conhecimento e da vontade, dirigida para a consecução de um fim.”

O desarrolho cultural e social de um determinado grupo histórico em um período de transformação e ordenamento para a organização social do trabalho e do poder, os modos de difusão do conhecimento começam a serem problematizados. Entretanto em sociedades aborígenes a educação se estabelece em inúmeras maneiras e em circunstancias variadas. Os antropólogos no começo do século XX quase não mencionam a educação, todavia expõem a tradição e história das sociedades tribais, seus ritos e suas relações diárias quando as crianças instruem-se e os jovens vão se inserindo e ganhando seus espaços no mundo dos adultos. Tais antropólogos pesquisaram essas tribos e viram que elas tinham procedimentos de aprendizagem diferentes, sem acepção necessariamente escolar, por exemplo: as rezas cerimoniais e a produção de arco e flecha. O conhecimento vai se expandindo na medida em que há permutas e socialização, ou seja, é coexistindo que a ciência se proporciona. “A criança vê, entende, imita e aprende com a sabedoria que existe no próprio gesto de fazer a coisa”.

Esses métodos de ensino-aprendizagem são nomeados com várias designações e o procedimento integral é chamado de socialização, possuindo períodos de inculcação que constroem nossa identidade. A integração social tem o encargo de educar os membros de uma dada coletividade com o intuito de se reconhecerem e se identificarem como parte de um grupo.

A endoculturação se manifesta nas varias circunstancias grupais para a constituição do individuo ao adquirir seus hábitos, tradições, crenças e conhecimentos de uma cultura, funcionando para os discentes como uma pedagogia completa. A educação é uma porção do experimento endoculturativo. Métodos premeditados intencionando a estruturação da criança em direção ao padrão estabelecido socialmente para os adolescentes e consequentemente para o padrão social do jovem e adulto. “Ajudar a crescer, orientar a maturação, transformar em, tornar capaz, trabalhar sobre, domar, polir, criar, como um sujeito social, a obra, de que o homem natural é a matéria-prima.”

A educação era refletida como algo que preserva as tradições, os valores e os costumes de um povo. Não obstante, pessoas consideradas educadas são também agentes de transformações das mesmas, geram novas perspectivas e novos argumentos. A educação programada objetiva à tornar os educandos mais que meros objetos do conhecimento e sim torna-los sujeitos e agentes do conhecimento, podendo interferir com suas habilidades criativas.

 A escola pública é resultado da democratização do ensino, almejando o acesso mais abrangente da informação para todos. Houve o reconhecimento político para o direito de se estudar do cidadão por meio das escolas públicas concedida pelo governo. Há pessoas que acreditam que a democratização do ensino foi decorrência de confrontos liberais e conservadores onde políticos liberais embutirem juízos de um ensino voltado para a vida, à transformação, o avanço, a democracia, revelavam ao mesmo tempo o conceito democrático de seu tempo e por outro lado os tradicionais que serviam aos interesses de novos donos do poder e da economia.

Sendo assim, a tendência é que a educação gratuita brasileira convém para a propagação da desigualdade e para a transmissão de opiniões que corroboram para a exploração hierárquica, velando-se com a intenção de tornar o mundo mais igualitário e livre. As pessoas são produtos da educação, no entanto, como a mesma está à mercê do controle de outras pessoas, a própria educação pode vir a ser usada de modo calculado com fins de monopólios ideológicos e, por conseguinte de alienação e opressões das massas. A educação pública nada mais vem com a intenção de formar cidadãos incapazes de se ascenderem no mundo acadêmico e competitivo sendo então alienados e direcionados a mão de obra.

Conforme indicativos históricos a grafia passou a existir em lugares com poder centralizado, tal como as sociedades egípcia e asteca que eram imponentes sociedades-estado. A escrita foi no inicio utilizada por escribas controladores das propriedades dos faraós e dos reis e depois passou a ser monopólio de poetas. Ressalta-se um fragmento do autor onde se exprime as modificações na educação correspondendo às alterações nos estilos de civilizações:

“A educação da comunidade de iguais que reproduzia em um momento anterior a igualdade, ou a complementariedade social, por sobre diferenças naturais, começa a reproduzir desigualdades sociais por sobre igualdades naturais”.
      
Desta forma a educação se denota como uma ferramenta de domínio, passando a difundir os conhecimentos entre as classes divididas em hierarquias com o propósito de que seus clãs se conservem nos mesmos padrões estabelecidos. A instrução formal e gratuita como se concebe hoje em dia é um produto contemporâneo decorrente dos registros da historia humana provinda desde épocas remotas da Grécia a Roma, e se conservou até a atualidade sendo escassamente renovada, e nunca perdeu seu caráter dominador e formador de cidadãos.