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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dança

 
 
Pedro Samuel de Moura Torres 



Dançar é declamar poesia com o próprio corpo. É produzir rimas a cada suave movimento, utilizando o corpo esteticamente e prazerosamente como um instrumento. É expressar toda glória e toda emoção que há dentro do coração. Seguir ao compasso do acústico congraçando à pulsação rítmica corporal mostrando toda mágica natural. É mover-se ao vento em frenética liberdade buscando o ápice da felicidade, girando-se esbanjando nosso orgulho e vaidade. E a cada balanço, um novo prazer, o de remexer como o sol ou uma estrela extravasando seu brilho, sua energia, seu viver. Assim é quem dança, experimentando sensações que vão além do trivial em absoluta leveza como uma criança em seu mundo celestial. É contentar-se ao submeter-se com incondicional obediência e confiança ao comando musical, é atingir um orgasmo integral e corporal. É se entregar cegamente ao vento e à sincronia simétrica ordenadamente livre perdendo-se no tempo, é o sentir o momento.

É o misterioso contorno que a alma traça em seu universo de anseios com elegância e graça descobrindo seu gozo entre a fumaça. Bamboleia, balança, mexe e libera toda sua energia vital, exaltando e ostentando seu deleitoso rebolado monumental. É pelo anseio de atingir o ápice que os movimentos incitam a sensibilidade que se torna cúmplice devota da harmonia e beldade. O sentir encoleirado de plena satisfação de um sensual desejo apaixonado. Dançar é fazer sexo com o corpo artisticamente, é rimar com o universo perfeitamente. É perseguir sensações inexploráveis em cada cantinho, em cada mover-se, é gozando silenciosamente em total deleite. É sintonizar o ouvido ao som conectando-o ao sensório-motor, harmonizando o corpo à inspiração sonora como um grande cantor. É lançar-se em suas vibrações com paixão e amor, tracejando o fenômeno acústico artisticamente em pleno glamour. Anuindo-se em conformidade à coreografia em plena coordenação, num transe de êxtase rodopiando como um furacão. É o encanto charmoso de uma sedução, de um desejo em explosão ou quem sabe apenas de uma alegria justificada pela grata celebração. É o corpo dizendo o que sente o coração, o que os sentimentos articulam ao intimo da inspiração. É a apologia e o louvor do simplesmente existir. É o festejo de um povo que só quer se divertir.


                                                                                                     Pedro Samuel de Moura Torres