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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Minha tradução de uma pequena passagem "il porto" do primeiro capitulo do livro do escritor italiano Roberto Saviano "Gomorra: Viaggio nell'impero economico e nel sogno di dominio della camorra"

 

 

 

 

O Porto (tradução)



 

                                                                                                        Pedro Samuel de Moura Torres


 O contêiner balançava enquanto o guindaste transferia-o para o navio. Como se estivesse flutuando no ar. O sprider, o mecanismo que atrela o contêiner ao guindaste, não conseguia controlar o movimento. Os portões mal fechados se abriram de repente e começaram a chover dezenas de corpos que pareciam manequins. Mas as cabeças se esmagavam no chão como se fossem crânios de verdade, e de fato eram.  Saiam das cargas homens, mulheres e também alguns garotos, todos mortos. Congelados, colados uns aos outros. Enfileirados e amontoados como sardinhas enlatadas. Eram os chineses que não morrem nunca.  Os eternos que passavam os seus documentos uns aos outros.  Eis o local onde se acabarão. As fantasias mais cruéis imaginavam os corpos cozinhados nos restaurantes, enterrados no jardim ao lado das Fábricas, jogados na boca do vulcão Vesúvio. Os mortos estavam lá e das cargas caíam em dezenas, com o nome anotado num cartão fixado a uma corrente em volta do pescoço.
 
Todos reservaram dinheiro para serem enterrados nas suas cidades chinesas. Conservavam uma porcentagem do salário, em troca garantiram uma viagem de retorno, uma vez já mortos. Um espaço em um contêiner e uma brecha em qualquer pedaço de terra chinesa. Quando o operador de guindaste do porto me contou, pôs as mãos no rosto e continuava a olhar-me pelo espaço entre os dedos. Como se, escondendo seu rosto, lhe desse mais coragem de me contar. Ele viu corpos caírem e não teve necessidade nem mesmo de acionar o alarme, de advertir alguém. Apenas fez com que o contêiner tocasse a terra e dezenas de pessoas aparecessem do nada, recolocaram tudo dentro e com uma bomba limparam os restos. Era assim que as coisas andavam. Ele não conseguia acreditar, esperava que fosse uma alucinação devido ao excesso de horas extras. Fechou os dedos cobrindo completamente seu rosto e continuou a falar choramingando, mas eu não conseguia mais entendê-lo.

 Pedro Samuel de Moura Torres


 

Il porto (original)

 


Il container dondolava mentre la gru lo spostava sulla nave. Come se stesse galleggiando nell'aria, lo sprider, il meccanismo che aggancia il container alla gru, non riusciva a domare il movimento. I portelloni mal chiusi si aprirono di scatto e iniziarono a piovere decine di corpi. Sembravano manichini. Ma a terra le teste si spaccavano come fossero crani veri. Ed erano crani. Uscivano dal container uomini e donne. Anche qualche ragazzo. Morti. Congelati, tutti raccolti, l'uno sull'altro. In fila, stipati come aringhe in scatola. Erano i cinesi che non muoiono mai. Gli eterni che si passano i documenti l'uno con l'altro. Ecco dove erano finiti. I corpi che le fantasie più spinte immaginavano cucinati nei ristoranti, sotterrati negli orti d'intorno alle fabbriche, gettati nella bocca del Vesuvio. Erano lì. Ne cadevano a decine dal container, con il nome appuntato su un cartellino annodato a un laccetto intorno al collo.
Avevano tutti messo da parte i soldi per farsi seppellire nelle loro città in Cina. Si facevano trattenere una percentuale dal salario, in cambio avevano garantito un viaggio di ritorno, una volta morti. Uno spazio in un container e un buco in qualche pezzo di terra cinese. Quando il gruista del porto mi raccontò la cosa, si mise le mani in faccia e continuava a guardarmi attraverso lo spazio tra le dita. Come se quella maschera di mani gli concedesse più coraggio per raccontare. Aveva visto cadere corpi e non aveva avuto bisogno neanche di lanciare l'allarme, di avvertire qualcuno. Aveva soltanto fatto toccare terra al container, e decine di persone comparse dal nulla avevano rimesso dentro tutti e con una pompa ripulito i resti. Era così che andavano le cose. Non riusciva ancora a crederci, sperava fosse un'allucinazione dovuta agli eccessivi straordinari. Chiuse le dita coprendosi completamente il volto e continuò a parlare piagnucolando, ma non riuscivo più a capirlo.


SAVIANO, Roberto. Gomorra. Collana Strade Blu, Arnoldo Mondadori Editore, 2006. pp. 331. ISBN 8804554509
 
 
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