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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

ENSAIO SOBRE A PEÇA TEATRAL “LENDA DAS YABÁS”


 
 

 
 
 
 
A ARTE DO TEATRO
 
 

 

As conquistas e desenvolvimentos humanos se realizam a partir da sua experiência real, do seu contato mais intimo com a realidade que se deseja apreender. Aprendemos com a convivência, através da dialética entre o interno e o externo, errando e acertando na tentativa sempre de ir mais além da nossa presente consciência. Ou seja, existe uma dinâmica subjetiva entre o que o externo transmite e em como o interno (pessoa) absorve e entende o ambiente através do seu filtro altamente pessoal.

Assim, não é diferente na arte de atuar, é necessário que o indivíduo, que realmente deseja ser um ator, se lance ao imprevisto, tenha a coragem de expor-se no palco “artificial”, pois só improvisando é que ele adquire azas para tal oficio, trazendo consigo, seus inerentes aspectos naturais relacionados à suas experiências de vida, a sua visão de mundo, e desse modo, o ator funciona como um veículo transmissor de realidades, emoções e ideologias de vida comum a todos.

 Ultrapassando e superando a sua obscura subjetividade, o ator tem o sublime encargo de tornar mais claro e inteligível, com suas expressões tanto contextuais, emocionais, verbais quanto corporais, as realidades humanas, “o teatro real da vida”, recriando e reinventado o universo. 

Portanto, a arte teatral, além de ser entretenimento de apreciação estética, é uma atividade puramente humana que, ainda que seja de forma artificial, serve de transporte social que revela, ressalta e demonstra as experiências humanas, construindo conhecimentos particulares ao homem, enriquecendo mais a sua visão de mundo, partindo do fragmentário ao holístico e desse modo humanizando todos os aspectos existentes em nossa vida.

Toda cena traz uma historia, um contexto e com eles, todas suas realidades, todas suas intrínsecas ideologias, suas visões de mundo, seus conceitos e valores, seus eventos e enredos. Tantos elementos da vida real sendo traduzidos para um ambiente artificial, como o é o espetáculo teatral, nele depara-se com o desafio de expressar em cenas separadas, todas as ações fragmentadas do espetáculo real da vida.

 E como as experiências humanas são fragmentárias, tanto cronologicamente quanto individuais, a arte teatral tem esse suntuoso desafio de tentar expressar cada ato, cada movimento, cada emoção, cada evento num suposto esquema organizado. O teatro é o pano de fundo de um panorama legítimo das experiências vivas e estéticas, manifestando-se por todos os meios sensoriais, onde se tenta mostrar e perceber o mundo em sua plenitude de cores e formas, de conteúdos, de emoções, de ideais, de obras, comunicando significados transformadores e estimuladores de consciências.      

“a construção de uma cena pressupõe a existência de uma história, isto é, de uma narrativa dividida em partes. Essas partes são etapas em que se subdivide a ação- ou as ações- de uma cena. Assim sendo, as ações, os acontecimentos que ocorrem ou que ocorreram ao longo do tempo são importantes para a compreensão do que se passa em cena. Isso porque a ação se desenvolve numa progressão de causa e efeito, que motiva ou justifica uma determinada situação, ou melhor, uma cena. Mas nada acontece sem a existência dos personagens. São eles que atuam para concretização dos pensamentos e dos sentimentos de uma época, de um determinado momento histórico. Esses personagens são cuidadosamente trabalhados e ensaiados pela figura do diretor, que, como elemento harmonizador do processo de criação, procura concretizar a cena” (BIASOLI, 1999, PG. 46)
 
 
 
 

UMA APRECIAÇÃO ESTÉTICA DA PEÇA “LENDA DAS YABÁS”
 
 

O espetáculo “Lenda das Yabás” está em cartaz no  Centro Cultural Ensaio, no bairro do Garcia, até o dia 30 de Janeiro, aos sábados e domingos, às 20h. A peça teatral em estudo conta a história da lenda das Yabás, apresentando também outros Orixás como Yemanjá, Exu, Xangô, Ogun, Omolu e Oxalá. 

Com texto e direção de Fábio S. Tavares, encenação conta, ainda, com a exposição Bahia Minha Preta‘, que traz objetos de personalidades baianas como os turbantes de negra Jhô, esculturas artesanais, exibição de fotos e filmes, quadros sobre o processo de ensaios e laboratórios da peça, objetivando homenagear a cultura Afro da Bahia e suas raízes.
Tais elementos também permitem que o público acompanhe o processo de feitura teatral, questão muito interessante para a compreensão de como o espetáculo foi concebido. De acordo com a enciclopédia livre Wikipédia, Iabá, Yabá ou Iyabá, cujo termo quer dizer Mãe Rainha, refere-se aos orixás femininos, Yemanjá e Oxum. Vale lembrar que no Brasil esse termo é utilizado para definir todos os orixás femininos em geral, substituindo o termo Obirinxá (orixá feminino).

O enredo aborda a história da ancestralidade da cultura afro-brasileira, bebendo da sua fonte mais pura ao se utilizar das lendas de 04 (quatro) Yabás: Yansã, Obá, Ewá, Nanã e Oxum. Com a intenção de envolver o público, os atores realizam diálogos intensos e diretos, visando humanizar as personagens centrais, as divindades da cultura africana, e captar a atenção absoluta do espectador quase transpondo-os para a encenação. 

Outro aspecto importante para ser destacado diz respeito à musicalidade presente na encenação. Todo o som é produzido ao vivo pelo elenco em função da expressão dramática. Voz, atabaques e agogôs, criam um ambiente propício para cada cena, dando leveza ou peso necessário para a ocasião.

Há de se observar também a forte presença da dança, em especial a contemporânea, com seus diversos elementos, fundida com o naturalismo da interpretação, sem perder, contudo, a dinâmica cênica que o texto reclama. As artes plásticas também são bem valorizadas na composição do espetáculo, ressalta-se que cenários e figurinos são artesanais, utilizando-se de galhos de arvores, folhas secas, adereços elaborados com sementes, entre outros. 
 
Mas a pedra fundamental é o espetáculo que trás uma historia que se passa num passado e tempo indefinido e mostra a fúria de um Deus humano que age de acordo com suas emoções. Revoltado com a destruição e discórdias que os homens vêm causando a aiê (Terra), Olorum resolve infertilizar todas as mulheres (as Yabás) para extinguir a raça humana e prender a chuva para que a Terra fique seca- isso é representado pelos galhos secos e tom pastel que compõem o cenário dando aspereza a encenação - pois a natureza retrata é a presença concreta do Deus abstrato. Nanã, que é a mais antiga dos orixás, surge no texto como uma grande ialorixa e sacerdotisa que conduz os festejos, impostos por Exu, em agradecimento por este ter conseguido chegar a olorum desvendando os segredos para que o Deus maior devolvesse a paz a Terra. O espetáculo traz os Orixás em forma humana e enfatiza que todo ser vivo, por possuir uma parcela divina, é capaz de se conectar com Deus com bases na energia e ações emitidas a outro ser e por isso Exu conseguiu chegar a Olorum e descobrir os segredos para trazer a concórdia a Terra. O mesmo Exu que trará a paz também conduz a ciumenta Oxum, causando intrigas e discórdias entre as demais Yabás, utilizando da obsessão que mesma sente pelo amor de Xangô, que por sua vez vive com suas quatro mulheres no palácio onde se passa toda a historia. (http://lendadasyabas.blogspot.com.br/p/relase.html, 2013) 

Vale, ainda, salientar que toda a história se dá em espaços e tempos nada ou pouco definidos, conforme consta no release do blog. O público conta apenas com as falas entrelaçadas, os acontecimentos e o contexto criado pelo cenário e pelas personagens. 

Cada uma das Yabás com seus signos traz em si a representatividade da essência e força feminina que ganham destaque na encenação que tem um misto de religiosidade popular e sensualidade profana. Yansã representa a figura da mulher contemporânea e independente, que age de acordo com a sua intuição e vontade sem se curvar aos caprichos ou preconceitos de uma sociedade (e por isso é a preferida de Xangô). Obá representa a evolução feminina em busca da igualdade, sua personalidade vai da típica dona de casa que se esmera ao máximo para agradar seu marido - sendo vítima de diversas injustiças - até a descoberta da força que muitas mulheres trazem dentro de si e desconhecem. A grande lição de Oba vem quando ela dá um basta na situação que vive e com isso se torna uma grande guerreira. A menina Ewá, representa o romantismo e inocência feminina. Demonstra sua força na revolta pela desilusão amorosa que sofre após cair numa das muitas armadilhas criadas por Exu. Ela é salva da fúria de Yansã por Oxossi que a leva para a mata e lá descobre essa força e volta para se vingar de Xangô que tentou seduzi-la. Oxum, sempre orientada por Exu, ao longo da história se utiliza da sua beleza para seduzir e orquestrar situações com o intuito de afastar as outras mulheres de Xangô, até que Oxalá vem ao reino para selar a paz e transformar os homens em orixás. (http://lendadasyabas.blogspot.com.br/p/relase.html, 2013).

Apreciar a referida encenação remete-nos a compreender melhor o papel criativo do ator e o processo de releitura de todo o elenco. Interessante se notar que foram lançados semanalmente nas redes sociais vídeos de curta duração, com imagens do processo de criação ao longo dos 10 (dez) meses de ensaios. De acordo com a companhia de teatro, tal ação foi realizada com o intuito de enfatizar, sobretudo, o corpo e o leque de expressões possíveis em que o ator se realiza na cena: da dança à pantomima. Na montagem em estudo, percebe-se 
que as personagens da trama nascem do natural e não do realismo (numa interpretação tipicamente stanislavskiana), buscando também uma técnica que envolve o ator na sua totalidade: mente, corpo, gesto, palavra, espírito, matéria, interno, externo (tendo inspiração na obra do teórico Grotowski). Elas são, no entanto, espelhos do real, mas distorcidos pelo manejar poético do ator e da pulsão do seu gestual no espaço.

            No que tange à atuação do artista e o uso de técnicas teatrais, Viola Spolin (1982) ratifica que “o ator realmente sabe que há muitas maneiras de fazer e dizer uma coisa, as técnicas aparecerão (como deve ser) a partir do seu total.” (SPOLIN, 1982, pg. 13). Acredita que é por meio da consciência direta e dinâmica de uma experiência no palco que a experimentação e as técnicas são devidamente unidas, de forma espontânea, libertando o artista para o padrão de comportamento fluente.

 

REFERÊNCIAS

 

Espetáculo Lenda das Yabás. Blog da peça teatral: textos e imagens. Disponível em: <http://lendadasyabas.blogspot.com.br/>. Acessado em: 28 de janeiro de 2013.

 

Wikipédia: a enciclopédia livre. Significado do termo “Yabás”. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Yabas. Acessado em: 28 de janeiro de 2013.

 

BIASOLI, Carmem Lúcia A. A história constrói a cena. In: A formação do professor de arte: do ensino à encenação. Campinas: Papirus, 1999.

 

SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 1982.

 

VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. As ideias estéticas de Marx; tradução de Carlos Nelson Coutinho. 2ª ed. Rio de Janeiro, Paz e terra, 1978. (Pensamento crítico, v. 19).

 

SLADE, Peter. O jogo dramático infantil; (tradução de Tatiana Belinky; direção de edição de Fanny Abramovich). São Paulo: Summus, 1978. (Novas buscas em educação, v. 2)    

 

 

 

 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Resenha critica do texto "As ideias estéticas de Marx" e do filme "Sede de viver"


 
 
 
O texto de Adolfo Sanchez Vásquez “As ideias estéticas de Marx” aborda sobre a hostilidade da ordem capitalista sobre a verdadeira intenção genuína da arte, pois que a mesma visa humanizar as relações interpessoais e com o mundo, e o artista se sente hostilizado pela motivação burguesa com a mídia artística, a que a utiliza para fins friamente econômicos. Segundo o texto nem sempre a burguesia se moveu com essa ideologia capitalista em relação à arte, pois no Renascimento quando a burguesia se ascendia na sociedade, ela se apropriava da arte para expressar suas ideais contra o feudalismo, utilizando-a, portanto como arma espiritual. Entretanto, a liberdade e os princípios buscados pela burguesia se revelou acessíveis apenas a uma minoria, o que distorce todos os pensamentos bem elaborados de igualdade e humanização global.

O texto demonstra e reflete com um olhar critico sobre como os valores massacrantes do capitalismo emergente no mundo desde a revolução industrial, tem sido o veiculo de deturpação para as sensíveis e desgostosas almas românticas que sempre buscaram trazer valores estéticos e elevados que transcendessem e dessem reais sentidos transformando a visão de um mundo abatido pela vida banalizada e pelo seco cotidiano preenchido pela desordem e vácuo existencial. A arte tem a função social de atingir a toda humanidade para que se humanizem em toda sua integridade espiritual. Ela deve ser um veículo onde fosse possível que o homem manifestasse as diversas condições humanas vitais se autoafirmando como seres humanos. Evidencia-se também que atualmente há uma nova arte, porém impopular, pois é direcionada para uma minoria privilegiada, já que a grande massa é inapropriada e desprovê-se de entendimento e recursos o bastante para se inserir e assimilar tais ideologias.

Na contemporaneidade, a arte versus o capitalismo traz a ideia sobre a influência direta das mídias na formação de consciências e mentalidades das massas que consomem seus produtos sem mesmo examinarem as mesmas e suas intenções por traz. Desse modo, na situação comodista em que se encontram, acabam se submetendo indiscutivelmente e cegamente às impositivas ideias maquinadas pela publicidade maliciosamente capitalista e como resultado perdem a noção fundamental dos valores estéticos, morais e espirituais. Como já se afirmou: "Toda unanimidade é burra", essa declaração parece se aplicar perfeitamente a essa absurda situação, na qual se verifica que a maioria das pessoas prefere e se atrai por banalidades sem conteúdos e por propriedades que não edifiquem nem elevem seus espíritos. Dessa forma, a arte por essência se desvirtua da sua finalidade primordial, que seria levar e moldar as consciências para uma elevação estética, ética e moral tornando-os mais humanizados. O homem massa consumidor da mercantil mídia abrangente se torna coisificado e nessa inepta condição, deixa-se ser manipulado virando massificadas marionetes cada vez mais consumistas e alienadas em seu vazio existencial.         

 O filme “sede de viver” revela um artista que viveu entre a intensa busca pela perfeição das suas obras e no seu desesperador estado psicológico. Começando sua vida profissional como semeador da fé por influencia do seu pai, Theo o resgata da sua primeira desilusão com os dogmas impostos pela igreja. Van Gogh decide dedicar-se de coração às suas pinturas entregando-se em busca da estética ideal. Sentindo-se rejeitado pela sua prima que se tornou de imediato a mulher da sua vida, sempre com seu jeito muito intenso e profundo em tudo o que vivia, ele se entregava a um estado depressivo e solitário. Profundamente fechado em seus pensamentos e sentimentos projetava suas potencialidades em suas obras, isolando-se em prol da sua dedicação profissional o que o inseriu num mundo de solidão e infelicidades. Toda a expressão da sua genialidade extravagante através das suas pinturas pareciam equivalente ao seu intenso e visceral modo de enxergar o mundo, ao seu rompante temperamento. Exagerava em cores fortes como se ele enxergasse a natureza em seu pleno brio. Ele agia motivado exclusivamente pelos seus reais sentimentos esquecendo-se de adequar-se às exigências externas de atingir reconhecimentos mercantis. Ele doava-se de corpo e alma à sua arte, não colocando-a como ambição comercial, mas como ambição espiritual e estética. 

Como diz Adolfo Vásquez em “O capitalismo e a arte de massas”: não apenas o homem-massa perde com isso: é uma perda para todos e substancialmente para os homens verdadeiros que intencionam trazer uma nova ordem social legitimamente humanizada. O que torna a relação entre o homem-massa e a arte genuína como uma comunicação entre surdos, onde a arte verdadeira deixa de ser apreciada. Essa ofuscação faz com que o público escolha as obras menos sólidas do ponto de vista estético no lugar de eleger aqueles mais valorosos esteticamente. Sendo assim, Van Gogh aparece como um verdadeiro artista em tal ponto de vista, pois suas obras permaneceram sem nenhum reconhecimento naquele tempo, a cegueira do momento já atuava ofuscando artistas que só viriam a ser aceita depois de sua morte. Van Gogh foi um verdadeiro artista também no que concerne à sua entrega emocional e total a sua obra onde seu real objetivo era satisfazer suas necessidades emocionais e estéticas sem nenhuma pretensão comercial, mesmo se suas obras fugissem dos padrões exigidos pelo mercado, se agradasse ou não, sua única e real pretensão era a de unir-se em sinestesia com a sua própria arte, projetando-se e tornando-se o seu próprio objeto de criação.     

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Relatório do SEPESQ

                                                                                           
 
                                                                                                      Pedro Samuel de Moura Torres
 
 
Na mesa, Literatura e Cultura (Shakespeare vai ao cinema), orientada pela professora DR. Elizabeth dos Santos Ramos, e ministrada pelo aluno Bruno de Almeida dos Santos, discutia-se que a tradução decorre, entre outros fatores, da compreensão e entendimento do interprete sobre uma dada obra. Este artifício abrange opções, que na maioria das vezes, abarcam a intenção de uma tradução e também as adaptações para a cultura alvo. Ressaltou-se que os deslocamentos de espaço e tempo de uma dada cultura maculam e transformam, na maioria das vezes, o texto alvo, o que acrescenta novos formatos ao texto original.
 
Ressalvou-se que um dos empenhos dos pesquisadores de tradução consiste em analisar como tais fenômenos de deslocamento e adaptação se desenvolvem. Tendo isso vista, debateu-se sobre a temática das relações de poder existente no texto dramático Romeu e Julieta, de Shakespeare e considerou-se como tais relações formam re-significações na animação japonesa popularmente conhecida como anime Romeu x Juliet de Reiko Yoshida. As explanações contribuíram bastante para a compreensão na área de tradução intersemiótica sobre as obras de William Shakespeare, onde relacionaram à cultura japonesa.
 
Mediante tais observações, conclui-se que as teorias de tradução vêm sendo usadas e aplicadas não apenas no âmbito da escrita, mas sobretudo, no domínio do áudio-visual. Tal campo implica em uma pesquisa mais rebuscada e reorganizada, onde busca a readaptação e re-construção de textos inseridos em contextos diferentes. Pode-se então, relacionar esses assuntos discutidos com a teoria escopos, de Vermeer, que abordou a questão da readaptação e a intenção por traz de cada tradução.
 
 
Pedro Samuel de Moura Torres

Resenha do filme: REFLEXÕES de um liquidificador

REFLEXÕES de um liquidificador. Direção: KLOTZEL, André. Produção: KLOTZEL, André. Roteiro: de Souza, José Antônio. São Paulo: Brás Filmes e Aurora Filmes, 2010.  DVD. (80 min.). Color. Som.

 
 

A historia se passa na cidade de São Paulo e tem como protagonista um liquidificador cuja voz é narrada por Selton Mello. Quase todo o cenário é em uma cozinha. Com uma rotina banal, sem fortes emoções. Convivem muito bem, apesar dos problemas financeiros. A dona de casa e taxidermista nas horas vagas, Elvira é interpretada brilhantemente por Ana Lucia Torres. Onofre é vigia noturno. A narrativa muito bem ordenada começa com um delito já consumado correndo em dois tempos. No passado, mostram os eventos que levam ao homicídio. No presente, se incidem os inquéritos.  O liquidificador interpretado cinicamente por Selton torna-se cúmplice, participando de maneira terminante em tal crime, ao menos na ocultação.

Elvira começa a se sentir perseguida após a comunicação que o liquidificador desenvolve apenas com ela. Ela começou a desconfiar de sua própria sanidade mental. O liquidificador tem uma visão quase infantil do mundo. Suas conversas sempre tem perguntas básicas, e Elvira o responde tediosamente como se dirigisse a uma criança curiosa.  O ambiente fechado da cozinha se torna uma arena de um mistério que a levará a ser suspeita do desaparecimento do seu marido. O liquidificador é a base para a trama se desenrolar, o que promove um clima sombrio de humor sarcástico. O argumento mais forte da comunicação do liquidificador é de cunho e perguntas filosóficas e do existencialismo, traçando um paralelo entre a máquina e o homem.

O filme tem uma linha de tempo bastante particular, pois não é linear, com idas e vindas minuciosamente organizadas. Alguns episódios foram postos em flashback o que permite enxergar um pouco do mistério que levou Onofre a desaparecer. Os sons e imagens são perfeitamente montados aproveitando com muita competência o panorama com seus objetos. O casal Elvira e Onofre de terceira idade moram em um casebre em meio a selva de pedra de Sampa.

Mesmo que não tenha sido proposital, a história faz uma certa apologia à impunidade, pois apesar de saber-se quem morreu, quem matou, qual a motivação e o cúmplice, as cenas deixam no ar uma impressão de mesquinhez na solução do conflito. O liquidificador personagem protagonista estaria envolvido no crime pela ocultação e omissão.    

A principal impressão que o filme passa é que na atualidade com tantas invenções e máquinas criadas pelo homem, insurgiu a humanização das maquinas ou mesmo a robotização dos homens. O Liquidificador passa a ser metáfora do pensamento, como moedor de idéias e signos. Mostra e reflete a posição do homem moderno em sua construção de mundo. A possível solidão que enfrentamos na atualidade, o que nos induz a buscar formas inusitadas de relacionamentos.

 A relação entre homens e máquinas está cada vez mais íntima, mas com suas possíveis conseqüências. Vivemos mais sozinhos em meio à vastidão de pessoas. Preferimos estar próximos de uma máquina para evitar as complexidades emocionais e sentimentais que todos os seres vivos têm. Tal solidão reflete a necessidade que a dona de casa tinha de se comunicar buscando alternativas impossíveis, mas que no filme se faz real.

Resenha textual associando os textos de CORACINI, Maria Jose., MUELLER, Suzana Pinheiro Machado e MUELLER, Suzana Pinheiro Machado








CORACINI, Maria Jose. Perscrutando a Filosofia da Ciência. In: CORACINI, Maria Jose. Um fazer persuasivo: o discurso subjetivo da ciência. São Paulo/Campinas: EDUC/Pontes, 1991. cap.1, p. 25-40;

MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. A ciência, o sistema de comunicação científica e a literatura científica. In: CAMPELLO, Bernadete Santos; CENDÓN, Beatriz Valadares; KREMER, Jeannette Marguerite. (Org.). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. cap.1, p.21-33;

MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. O periódico científico. In: ______.  Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. cap. 5, p. 73-94.       

                                                         ]

                                                                        Pedro Samuel de Moura Torres


As duas autoras em questão trazem contribuições importantes para a compreensão do processo e dinamismo da divulgação da ciência. O meio de publicação da ciência é o ponto chave dos três textos. Todos abordam questões vigentes na comunidade cientifica e explicam os procedimentos para a expansão e conservação do conhecimento cientifico. A ciência para existir não basta apenas encontrar respostas, explicar fatos, mas, para trazê-la a existência, é necessário que se disponha de publicações e exposições. Através dos textos torna-se mais fácil compreender todo o artifício da ciência e como ela se desenrola.

O texto de Suzana Pinheiro, A ciência, o sistema de comunicação e a literatura cientifica, aborda a dinâmica e as formas atuais para a disseminação e veiculação das produções acadêmicas nas comunidades cientificas. Mostra e avalia um método de estudo que vem sendo desenvolvido para amoldar-se com a comunidade científica, os fatos fundamentais que motivam e estimulam o consumo de artigos e periódicos científicos, tanto no meio impresso como no meio eletrônico, em mananciais restritos ou acessíveis.

Suzana denomina de literatura cientifica as fontes de conhecimento que todo o profissional de informação tem como base. Os periódicos científicos em sites da internet ou impressos em formatos de livro constituem em maior parte a literatura cientifica. A autora designa de explosão bibliográfica o fenômeno do avanço tecnológico.

Com a chegada da ciência moderna, possibilitou-se a comunicação e veiculação de forma bastante acessível e instantânea em prol de divulgações entre a comunidade cientifica ou até mesmo direcionando-se para outros contextos sociais. Os periódicos eletrônicos têm características de serem instantâneos e versáteis. Já que se encontra com todo esse avanço tecnológico, ocasionou-se numa transformação do acesso das informações. Como articula Mueller, encontramo-nos em um período transitório na comunidade cientifica, o qual saiu de um sistema rude e limitado para um sistema mais avançado e de fácil publicação. Tais avanços propiciaram para a extinção dos entraves geográficos e disponibilizaram novas vias de difusão, globalizando e tornando acessíveis os conhecimentos científicos. Mueller destaca dois tipos de canais: o informal e o formal. O canal informal tem o acesso limitado e reserva-se a públicos restritos. O canal formal é de amplo e simples acesso a informações, porém são bem mais refletidos e avaliados.      

Coracini defende a importância de compreender a ciência com suas concepções em vigor, seus novos recursos instituídos e as leis estabelecidas. Tal autora avalia os estudos científicos a partir de três filósofos da ciência: Popper, Kuhn e Feyerabend. Popper apóia o método dedutivo em que o fundamento teórico é a chave de todo empenho da ciência. Popper acredita que através dos erros é que se aproxima da verdade, com a sua teoria do falseamento; sustenta que a ciência se desenvolve a partir do ciclo de erros e acertos. No entanto, Coracini desafia tal teoria, ao afirmar que Popper não enxergou a necessidade e a influência do social como Kuhn havia previsto. Para Kuhn a ciência é essencialmente argumentativa, ou melhor, as suas verdades estão sujeitas ao poder da persuasão e eloqüência, ou à melhor resposta apresentada para seduzir e convencer um dado público. Kuhn considera que a ciência depende dos contextos e adequações histórico-sociais. Portanto, a comunidade cientifica domina e amolda a ciência continuamente. 

É necessário que o pesquisador procure subsídios não somente internos, mas também externos ao domínio científico a fim de que possa elaborar suas próprias conclusões a respeito das verdades científicas. Já que as verdades humanas são passíveis de erros e acertos, convém não acreditar em apenas uma suposição. As literaturas científicas servem exatamente para nos proporcionarem possibilidades e reflexões sobre o que podemos e queremos julgar que seja verdade, mas que não seja necessariamente uma verdade inabalável e exata. É fundamental que aprendamos a traçar um paralelo dos nossos conhecimentos de mundo com as conclusões cientificas e que saibamos moderadamente nos desvencilhar de conceitos pessoais e pré-concebidos para podermos usufruir o que a ciência nos proporciona.

É bastante intricado se garantir a veracidade de algo quando se faz uma análise cientifica, uma vez que o observador é levado a ler e averiguar certas literaturas, não sendo permitido o uso de sua voz direta em seus discursos científicos. Em seu texto, Coracini invalida esse padrão, mesmo de maneira indireta, quando exprime seu ponto de vista ao censurar a opinião de Popper em benefício de Kuhn. A ciência também se constrói verdadeiramente a partir dos julgamentos individuais, do que se reflete intimamente, porém, tais reflexões e opiniões devem seguir a linha do que se tem pesquisado e essas pesquisas podem ir muito mais além do que apenas teorias fundamentadas nos periódicos, como as experiências pessoais e subjetivas. 

                                                                                                        Pedro Samuel de Moura Torres

Comentário livre do texto de CORACINI e do vídeo de SAGAN, Carl. Biblioteca de Alexandria (video-youtube)”.


CORACINI, Maria José. In: perscrutando a filosofia da ciência. Um fazer persuasivo: o discurso subjetivo da ciência. São Paulo: Edu, 1991. 

“SAGAN, Carl. Biblioteca de Alexandria (video-youtube)”. Website. On-line. Internet, Disponível: www.youtube.com/watch?v=JNKyEVtIfjE.

Acessado em Setembro, 2010.

                                                                                              
 
                                                                                                   Pedro Samuel de Moura Torres
 
 

Na mesa, Literatura e Cultura (Shakespeare vai ao cinema), orientada pela professora DR. Elizabeth dos Santos Ramos, e ministrada pelo aluno Bruno de Almeida dos Santos, discutia-se que a tradução decorre, entre outros fatores, da compreensão e entendimento do interprete sobre uma dada obra. Este artifício abrange opções, que na maioria das vezes, abarcam a intenção de uma tradução e também as adaptações para a cultura alvo. Ressaltou-se que os deslocamentos de espaço e tempo de uma dada cultura maculam e transformam, na maioria das vezes, o texto alvo, o que acrescenta novos formatos ao texto original.

Ressalvou-se que um dos empenhos dos pesquisadores de tradução consiste em analisar como tais fenômenos de deslocamento e adaptação se desenvolvem. Tendo isso vista, debateu-se sobre a temática das relações de poder existente no texto dramático Romeu e Julieta, de Shakespeare e considerou-se como tais relações formam re-significações na animação japonesa popularmente conhecida como anime Romeu x Juliet de Reiko Yoshida. As explanações contribuíram bastante para a compreensão na área de tradução intersemiótica sobre as obras de William Shakespeare, onde relacionaram à cultura japonesa.

Mediante tais observações, conclui-se que as teorias de tradução vêm sendo usadas e aplicadas não apenas no âmbito da escrita, mas sobretudo, no domínio do áudio-visual. Tal campo implica em uma pesquisa mais rebuscada e reorganizada, onde busca a readaptação e re-construção de textos inseridos em contextos diferentes. Pode-se então, relacionar esses assuntos discutidos com a teoria escopos, de Vermeer, que abordou a questão da readaptação e a intenção por traz de cada tradução.

Pedro Samuel de Moura Torres

 

 

O texto perscrutando a filosofia da ciência aborda questões polêmicas no que diz respeito ao conhecimento desenvolvido pela ciência. Tais conhecimentos são levantados em pauta a sua veracidade, apresentando teóricos que defendem seus princípios para a aproximação da verdade cientifica.

O vídeo “cosmos” exibe como, onde e desde quando o acúmulo de todo conhecimento humano começou. O apresentador expõe que os primeiros passos da ciência se deram e se aglomeraram na biblioteca de Alexandria na cidade Alexandria ao norte do Egito. A cidade ficou conhecida como o legado intelectual por causa do empreendimento de tornar-se, na Antiguidade, o centro de todo conhecimento do homem, com a criação da Biblioteca de Alexandria. Estudavam de tudo: os cosmos, a vida, a composição do universo, como a forma intricada e sutil pela qual o universo foi constituído. Nessa Biblioteca floresceu a genialidade. Destacaram-se gênios como Erastóstenes que foi um astrônomo que conseguiu enxergar que a terra era uma pequena esfera flutuando na imensidão do universo. Hiparco, outro astrônomo, conseguiu mapear e estabelecer a magnitude das estrelas. Ptolomeu compilou a astrologia, considerada, hoje, uma pseudociência. Euclides sistematizou brilhantemente a geometria. Dionísio da trácia definiu as partes integrantes da oração, com substantivos, verbos etc.; ele foi tão importante para a linguagem quanto Euclides para a geometria. Herófilo, fisiologista que afirmou ser o cérebro a sede da razão e inteligência e não o coração como pensavam antes.

 Arquimedes foi um gênio da mecânica até a época de Leonardo da Vince. Hipácia foi uma mulher astrônoma, matemática e ultima figura ilustre da biblioteca. Aristarco de Samos, genialmente defendeu o heliocentrismo em detrimento da antiga crença cuja terra era o centro. Aristarco só foi reconhecido após cerca de dois mil anos quando o fato foi redescoberto.

A idéia de que a terra era o centro do universo permaneceu durante 1.500 anos, sendo já observada por um gênio a sua falha. No entanto, essa teoria veio a se anuir tempos depois. Isso mostra que mesmo mediante todo conhecimento intelectual não garantem a veracidade de suas conclusões.

Sistematizaram e reuniram todo o conhecimento do mundo na Biblioteca de Alexandria. Apenas Posteriormente a Idade Média, se expandiu o acúmulo de conhecimento investigado, iniciando o Renascimento. Foi a partir daí que toda essa cultura expandiu-se e transformou-se no mundo de hoje.

Ambos os textos acometem e levantam pontos sobre os conhecimentos acumulados e teorias construídas ao longo da historia humana. Observa-se pontos em comuns sobre a teoria do falseamento do primeiro texto, podendo ser relacionado às menções aos gênios com suas descobertas.  A teoria do falseamento apresenta a necessidade de alguém com brilhantes argumentos desestruturar conhecimentos estabelecidos; No vídeo depara-se com tais genialidades responsáveis por mudanças no processo de conhecimento da humanidade.

 

 

 

Resumo informativo do texto de CORACINI


CORACINI, Maria Jose. Perscrutando a Filosofia da Ciência. In: CORACINI, Maria Jose. Um fazer persuasivo: o discurso subjetivo da ciência. São Paulo/Campinas: EDUC/Pontes, 1991. cap.1, p. 25-40;

 

Nesse texto, intenciona-se demonstrar que a subjetividade prevalece até mesmo na ciência que deveria ser clara e objetiva. Como há possibilidades de interferências do sujeito no objeto, ou seja, a conclusão que será considerada verdade dependerá não somente do objeto avaliado, mas da bagagem de concepções já pré-estabelecidas entre a comunidade cientifica, dos desígnios e aspirações do sujeito (cientistas). Argumenta-se e questiona-se as teorias vigentes sobre a verdade do legado cientifico. Os cientistas concluem como “a verdade”, a resposta mais plausível naquele dado momento, se aplica, mas não significa ser ela, absoluta, indiscutível e imutável. Acredita-se que é a constante busca da verdade que faz a ciência progredir, pois a cada erro produz-se adequações mais eficientes. Considera-se três filósofos da ciência a serem mencionados no texto com tendências modernas em suas teorias e concepções: Popper, Kuhn e Feyerabend. Compara-se métodos distintos de cada um dos citados, confrontando e argumentando a melhor forma de apreensão para a verdade cientifica. Desse modo, foram identificados o método do falseamento de Popper; Kuhn e as revoluções cientificas; Feyerabend e o mito da ciência; a ciência e a linguagem; o discurso cientifico primário e outros discursos. Conclui-se que os três filósofos da ciência defendem pontos de vista diferentes, porém, baseando-se na mesma realidade.

 

 

Palavra-chave: verdades, subjetividade, filosofia da ciência.

 

 

Relato sobre as práticas de leitura e escrita de ygor


 

Ygor diz não ter lembranças de como adentrou no mundo da leitura, já que sua infância foi vivida envolta em brincadeiras e diversões nas praças de Salvador.  Relata lembrar-se de quando ganhou sua primeira revista em quadrinhos “a turma da Mônica” quando já em torno dos 14 anos. Se identificando com uns dos personagens, o Cascão, pelo fato da aversão à água que possuía quando jovem, serviu de estimulo a sua leitura.

No segundo grau, foi estimulado a conhecer obras literárias brasileiras como O menino do espelho, de Fernando Sabino, Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, O Mulato e O Cortiço, de Aluísio Azevedo, O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, se identificando com todos.


Expõe que suas leituras mais proveitosas foram Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, A Divina Comédia, de Dante Alighieri, O Príncipe, de Nicolau Maquiavel e Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barret, ao passo que antipatiza e deprecia suas leituras como Água Viva, de Clarice Lispector, O Alquimista, de Paulo coelho e O Código Da Vinci, de Dan Brown.

2005, para Ygor, foi um ano de descobertas, revelando-se admirador de Jorge Amado e Machado de Assis. No mesmo ano, conheceu Gregório de Matos, o qual, em sua opinião, é o maior poeta do Brasil. Ygor revela-se um apreciador de poemas se deleitando ao ler os poemas de Mario Quitana, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de André, Castro Alves, Cruz e Souza, etc. Também teve contato com a literatura de cordel, de autores desconhecidos, que lhe trouxeram perspectivas mais amplas pra esse tipo de texto, que o considera incrível.

Ao ingressar na Universidade, começou a se envolver em grupos de debates pela internet, escolhendo assuntos pertinentes ao seu curso, tais como cultura, política, e filosofia. Nesses mesmos grupos, cambiam-se ideologias, e debatem sobre tópicos modernos da mídia. Por convites de colegas de militância estudantil, chegou a publicar alguns textos em sites de Partidos Políticos de Esquerda da Bahia.

Ygor é um leitor incansável de filósofos tais como: René Descartes, David Hume, John Locke, Gottfried Leibniz, Jean- Jacques Rousseau, Bertrand Russell, Immanuel Kant, Gottlob Frege e Ludwig Wittgenstein.

Seus últimos livros foram Hamlet de Willian Shakespeare, A Arte da Guerra, de Sum Tzu e Memórias Estudantis, de Ana Maria Araújo. Também lê raramente revistas impressas como “Scientific American Brasil”, “Carta Capital” e “Caros Amigos”. Confessa deliciar-se com revistas da playboy, embora, na mesma, encontram-se matérias com vários intelectuais de diversas áreas. Ygor se entretém com jornais lendo os artigos de esportes, as Charges e Culinária. Aprendeu a importância de obras literárias após entrar na universidade, sendo conscientizado por filósofos que sabem a relação intima entre filosofia e literatura.  

 

Relato sobre as práticas de leitura e escrita de Fábia


 

Fábia é esforçada desde pequena. Iniciou sua leitura com apenas seis anos de idade, logo que aprendeu a ler e escrever. O que a estimulou em suas leituras foi os livros infantis com contos e fábulas, que sua mãe lhe dava. Em seguida, desenvolveu gostos mais variados e compatíveis ao seu crescimento como histórias em quadrinhos, livros paradidáticos, jornais e revistas de moda. Ela relata também que seu gosto é mais pela leitura e não tanto pela escrita.  Aos onze anos, já lia os clássicos da literatura brasileira. Fábia demonstra ser uma leitora assídua, ou melhor, “uma fominha de livros”, pois mencionou já ter lido inúmeros livros e não seria capaz de relatá-los nesse texto.

Fábia assume ser a escrita seu grande desafio e debilidade, já que demanda um espírito analítico e critico; o que não convém com sua natureza indecisa. Ingressou na UFBA com o propósito de se tornar professora e não uma escritora, manifestando insatisfação com sua profissão atual. Ensinar, pra ela, se tornou massacrante, devido aos seus alunos que não querem nada com o Brasil.

Apesar dos resultados positivos que Fábia obteve com a sua escrita no ensino médio, ela sustenta uma insegurança extrema, pois se questiona como poderia ter sido o seu desempenho na redação para ingressar na UFBA. Intitula-se como uma leitora universal.

Atualmente, diz ler livros variados pertencentes ou não a sua área acadêmica, mas têm uma preferência mais incisiva por Agatha Christie, Sidney Sheldon, livros de auto-ajuda: Augusto Cury; livros religiosos: a Bíblia, Rebeca Brown, Benny Hinn; livros acadêmicos: Marcos Bagno, Edleise Mendes, Paulo Freire; livros estrangeiros (romance conto e poesia): Federico Garcia Lorca, Gabriel García Marques, Julio Cortazar e por último, revistas como Escola, Veja e Marie Claire.

Meu histórico da pratica de leitura e escrita




Descrever-me-ia como alguém ecleticamente disperso. Metaforicamente, como uma mente borboleta, ou mais másculo, um beija-flor em busca do pólen. Não sei realmente de qual assunto prefiro, pois ao passo que me interesso por algo, logo o considero monótono. Os primeiros contatos com a leitura foram a partir de gibis, me divertindo à beça com a turma da Mônica. Também, na pré-adolescência, costumava ler livros de ciências, história e geografia propostos pelo estabelecimento de ensino.

No meu processo de escolha profissional, passei por crise de identidade profissional, hesitando entre psicologia, direito, turismo, relações internacionais, filosofia, biologia, enfermagem, fisioterapia, medicina, letras, entre outros que não me vem à mente. Acabei sendo impelido ao mundo das letras por ter conseguido ingressar na grande UFBA.  A princípio, por ter um bloqueio com a literatura brasileira, fui quase que obrigado a conhecer obras como Dom Casmurro, de Machado de Assis, Hora da estrela, de Clarice Lispector, Primo Basílio entre outros, para prestar o vestibular, passando então a me interessar mais um pouco. Já me interessei pelas obras de Paulo Coelho, Machado de Assis, José de Alencar e outros mais notáveis. Ainda hoje quando tenho tempo, os leio.

Como enveredei pelo rumo das letras, em particular, língua estrangeira; manifestei gostos variados por idiomas. Busquei ler livros de literatura estrangeira, (romances e contos) em idiomas como inglês, italiano, francês, como as obras de Vitor Hugo, Reparação de McEwan, e outros. Até me identificando mais; pois o enredo, a história e a linguagem usada para descrever emoções e detalhes do ambiente me fascinam.

Leio praticamente o que me interessar no momento, já li alguns livros de psicologia, auto-ajuda: inteligência emocional entre outros, também já li O mundo de Sofia e outros de cunho filosófico. Já li vários livros sobre religião, adentrando na minha religião de batismo: católica, desenvolvendo criticas, concepções e conclusões ambivalentes. Também leio a bíblia ocasionalmente.

Tenho interesses por assuntos metafísicos, mas não cheguei a ler nenhum livro especifico. Geralmente leio superficialmente e quase não consigo ir até o final, buscando sempre algo que excite a minha mente, isso vale para quase tudo, até erotismo. Não sou muito de ler livros acadêmicos, Às vezes leio revistas cientificas e adoro ler livros de astrologia psicológica, aquela que descreve e traça personalidade e características a partir de dados do posicionamento planetários, o que revela a minha busca por explicações da psicologia humana, em todas as suas possíveis veredas. Enfim, sou puro sincretismo heterogêneo em eterna busca da verdade. 

Enquanto a escrita, comecei com cartas de admiração para a minha mãe e para as tias (professoras). Passei a desenvolver melhor a escrita através de redações feitas em cursinhos preparatórios. A poesia nunca me atraiu, pois parecia um campo inacessível ao meu entendimento. Hoje em dia, escrevo emails ocasionalmente, mas o meu meio de escrita é mais voltado para o instantâneo, o Messenger, onde posso desenvolver estruturas e frases dos idiomas estudados. Conversando assuntos variados e oportunistas. Já escrevi ensaios, descrições referentes a obras requisitadas por professores de língua portuguesa e inglesa. A minha área de atuação está em traduzir, ou seja, sou um bom copiador e adaptador de idéias, não um criador. Não tenho hobbies com a escrita criativa.

 

Meu memorial


 
                                     Pedro Samuel de Moura Torres

 

1.     Vida pré-escolar

 

Sou o quarto e ultimo filho de uma família composta por meu pai Rivaldo, minha mãe Amélia, meu irmão mais velho George (atualmente casado), minha irmã Jaqueline (atualmente casada) e meu irmão companheiro Júnior que está para se casar. Sou filho de um pai agricultor (aposentado) e uma mãe professora (aposentada). Nasci no ano de 1982 em Biritinga, BA, uma pequena cidade interiorana com apenas vinte e um mil habitantes. Realizei todos os meus estudos, do fundamental ao ensino médio, em escolas municipais e estaduais, pois nesse distrito não se havia escolas privadas. Fui alfabetizado na escola Chapeuzinho Vermelho pela professora e, por coincidência, prima Rita. Minha irmã propala que essa prima foi e continua sendo uma ótima professora e que ela foi a responsável pela minha leitura precoce.

 

2.     Alfabetização
 

 

Tenho vagas lembranças da época do jardim-de-infância, um dos dados mais fortes na minha memória é que a escola era próxima a rua onde eu morava. Durante a alfabetização, eu havia encontrado a garota pela qual fiquei apaixonado por toda a infância, após receber um beijo inocente no rosto da loirinha cobiçada por todos e filha do gerente do banco, na época. Eu tinha a fama de ser um aluno aplicado e bastante adiantado, pois não mostrava dificuldade na aprendizagem. Consideravam-me um aluno obediente e inteligente e, por justificativa, filho de uma professora. Lembro também das merendas que minha mãe, minha irmã ou minha babá me levavam. Dizem que eu era muito mimado e paparicado já que estava sempre rodeado de cuidados e de atenções femininas. Na época de infância, tive amizades bastante esporádicas. Apenas consolidei amizades a partir da adolescência.

 

2.1 A influência da minha mãe e o forte apoio da minha irmã

 

Como minha mãe foi professora, eu tive um alicerce razoavelmente sólido na minha formação fundamental, pois dispunha de livros e recursos básicos para a minha alfabetização. Minha mãe também me levava para as suas aulas, para me introduzir no mundo da leitura e escrita. Todavia, devido a sua ausência em casa, por estar sempre ocupada com a direção de escola estadual, encarregou à minha irmã os cuidados e acompanhamento dos meus estudos. Minha irmã Jaqueline, sempre preocupada com o meu futuro, contribuiu muito para o meu caminho acadêmico, pois ela sempre esteve a me estimular e encorajar para os estudos. Ela sempre me aconselhava que nós teríamos de lutar e estudar para sermos alguém na vida. Ajudava a tirar minhas dúvidas, conversava e debatia comigo assuntos relativos à escola e até da própria vida. Ela tinha prazer em me presentear gibis ou revistas educativas para me incentivar na leitura. Até mesmo se propôs a me dar aulas para disciplinas primárias, porém, mediante pagamento. Na infância ganhei muitos discos coloridos da Disney e eu sonhava ao escutar as histórias de fadas e princesas. Minhas leituras também eram muito fantasiosas e imaginativas, típicas da idade, com maior quantidade de ilustrações do que de escrita. Na Adolescência, comecei a ler alguns livros bem mais verbais; como Iracema, a ilha perdida, o mulato, etc. 

 

3. Época do ensino médio e prelúdios do encaminhamento

 

No Ginásio, eu tinha interesses bastante variados e diversos, pois ao passo que gostava de geografia, ciências, estudos sociais, português e língua estrangeira, detestava historia, literatura, matemática, química e física. Entretanto, foi logo no primeiro ano do ginásio que despertou o meu interesse pelo idioma inglês. Meu professor Sérgio, da quinta série, me serviu de grande impulso para o gosto da língua estrangeira, já que era um excelente e querido professor, despertando admirações dos alunos. Eu fiquei famoso na escola por ler textos em inglês sem hesitar e pelas notas altas. Todos os meus colegas queriam sentar próximo de mim na hora das provas ou sempre me pediam ajuda.

Embora eu tivesse preguiça, e conseqüentemente, me dispersasse nas aulas de matemática, quando entrei em um curso extra, passei a virar CDF em matemática também. Vivi nessa época como o exemplo de aluno intelectual para os professores e o NERD para os coleguinhas. Tal posição me colocou em uma condição que não me agradava muito: as pessoas se aproximavam de mim ou com amedrontada admiração ou com interesses intelectuais.

 

3.1 Momento rebeldia e encontros desviantes

 

Percebendo o outro lado da moeda, a possível solidão e distanciamentos dos outros, eu procurei mudar, pois, no meu intimo, queria vivenciar as relações humanas. Foi no Ginásio que encontrei a garota que mudou as minhas perspectivas. Bárbara, minha colega que se tornou minha primeira amiga e minha primeira paixão. Ela foi o instrumento que me “tirou do bom caminho”, com ela passei a ver o lado mais malandro e gracioso. Para eu filar uma aula era como se meus pais fossem descobrir e seria o fim do mundo, o fim do filho bom, a decepção mais absurda. Contudo, me deixei ser seduzido e vivemos momentos intensos que guardo até hoje na lembrança. A partir desse período já havia perdido o cartaz de aluno exemplar, passando a fazer recuperações, pescar nas provas, a filar aulas e viver um pouco mais a vida fora da prisão do dever da aprendizagem e da imagem de certinho.    

O Ensino médio foi na minha adolescência, uma fase gostosa e de descobrimentos, mas com alguns desafios. Tinha uma ótima relação com quase todos os professores; exceto uma professora de quem trago lembranças negativas e traumas. Essa professora permaneceu como um trauma que me afetou até hoje nos meus relacionamentos com os professores. Na oitava série, passei a conhecer a literatura, li livros de José de Alencar, Machado de Assis, Maria José Dupré, etc. Adorei ler alguns livros e outros não. O vigor do inglês, nessa época, para mim abrandou imensamente, talvez por falta de um professor competente; pois eu parecia saber mais inglês que ele. No segundo grau, tive que me submeter a fazer magistério por falta de opção. Concluindo o ensino médio em magistério, visto que só havia magistério em tal cidade, tive que estagiar nos níveis de primário (primeira à quarta série).



4. Primeira formação; a busca de novos objetivos

 

Após a formatura de magistério, eu comecei a trabalhar em escolas ensinando níveis de primário na zona rural e urbana. Descontente com a posição de professor primário, eu preferi trabalhar como secretário de jardim-de-infância. Nesse meio termo, eu fiz pequenos cursos de informática e computação. Insatisfeito e irrealizado com a minha situação profissional, eu decidi abdicar do meu conforto familiar e me aventurar em uma oportunidade oferecida pelo prefeito da cidade, de vir a Salvador para estudar morando em residência universitária.

 

4.1 Novo rumo e adaptação

 

Foram anos de muita luta, sofrimento e ao mesmo tempo, distração, pois ao passo que teríamos que nos tolerar: a falta de privacidade que me sufocava, a diferença de horário de cada um para dormir, administração da casa, desentendimentos rotineiros que pareciam estar cada vez mais freqüentes, etc., tivemos momentos agradáveis e hilários, onde nos uníamos e compartilhávamos nossas experiências. Ali vivi por quase dois anos.

O primeiro ano aqui em Salvador foi um ano de adaptação, nossos pais de cidade pacata, tão preocupados, recomendavam-nos que teríamos de andar sempre juntos para nos defender, já que não conhecíamos nada. Como o ensino que tivemos não foi satisfatório para ajudar a passar em um vestibular, freqüentávamos cursinhos preparatórios. Primeiro estudamos no cursinho Status da Moraria. Tudo era novo, e a gama de assuntos e detalhes nos assustava. Sentíamo-nos incapazes de absorver tanto conteúdo em tão pouco tempo. Contudo, não desisti e continuei tentando. Em meio a esse combate pela aquisição de conhecimentos, também afrontava em mim o conflito, a dúvida sobre a escolha profissional. Não tive tempo para fazer o teste vocacional e, ao passar pela crise de identidade profissional, despertei interesses totalmente díspares.

 

4.2 Busca vocacional

 

Logo no inicio, pensava na possibilidade de prestar vestibular para direito ou medicina, pelo status e possível satisfação financeira que tais cursos supõem-se oferecer. Entretanto eu sentia o grande desafio que teria pela concorrência assustadoramente grande, sem dizer também que eu não possuía a aptidão para tais cursos. Também tive certa curiosidade por odontologia e fisioterapia, já havia até pesquisado as faculdades que ofereciam tais cursos, mas não me atrevi. Eu admirava muito geografia e nutrição e até conjecturei a possibilidade de fazer oceanografia.   

No segundo ano aqui em Salvador, ao freqüentar o cursinho Sartre fiz o simulado para biologia, pois naquele momento estava quase convicto que seguiria esse rumo. Tendo uma razoável pontuação, julguei ter feito a escolha certa. No entanto minha fraqueza se situava em matérias de ciências biológicas, como química e física que seriam requisitos básicos para o curso. Percebendo o contra-senso, decidi buscar outras alternativas. Desse modo, ao final do ano, já não estava mais convencido de que iria prestá-lo. Foi quando tentei fazer psicologia, passei na UNIFACS, mas não a cursei, porque não podia custeá-la.

 

5. Uma semi-reafirmação e estabilização de minha escolha

 

No terceiro ano aqui em Salvador, devido aos conselhos de pessoas próximas, acreditei que deveria tentar Letras, mas, mesmo aparentemente decidido, no fundo, duvidava. Continuei estudando no Sartre, onde aprendi os macetes e focalizei nas exigências da Federal para passar em Letras. Lá no Sartre, também aprimorei bastante os conhecimentos gerais e principalmente na construção de redações, o que me ajudou extremamente a passar na UFBA. Percebendo o meu gosto por línguas, eu intuí que deveria fazer algo que as aprendesse, e que de algum modo, as aplicasse. Pedi e consegui uma bolsa para estudar inglês no ACBEU, pela necessidade de uma segunda língua e como mais um bom requisito para o currículo.

Concluí o curso do ACBEU com direito a cerimônia e diploma. Nesse ano, encontrava-me mais centrado e decidido em meus objetivos, pelo menos, em qual contexto eu seguiria. Ao consolidar esse gosto peculiar por idiomas, deduzi que faria Turismo e Hotelaria, ou até mesmo, Relações Internacionais. Até então achava que Letras não me serviria tanto pelo fato de depreciar literatura e vernáculas. Prestei e passei em Turismo na FACTUR, contudo, decidi não cursá-la, influenciado por professores de cursinho e principalmente por um tio que desconfiava da competência daquela instituição, o que me trouxe inquietações.

Não obstante, já perto das inscrições, persuadido e semi-orientado por uma professora de inglês do cursinho Sartre, eu decidi prestar vestibular para Letras vernáculas com língua estrangeira em inglês (licenciatura). No final do terceiro e último ano de tentativa, mas já decido mais ou menos qual rumo seguiria, fiz vestibular para letras com inglês na UCSAL e UFBA, na UNEB aventurei turismo. Perdi na UNEB, mas passei na UCSAL, onde freqüentei apenas duas semanas porque havia recebido o resultado positivo da UFBA.

 

6. O ingresso na UFBA e novas perspectivas

 

Após duas tentativas, consegui entrar na UFBA. No início foi muito impactante, a minha experiência com literatura e lingüística me atemorizou. Pensei em desistir, mas ao perceber que havia a possibilidade de mudar de curso, não deixei me abater. Pedi a transferência interna de letras vernáculas com língua estrangeira (licenciatura) para língua estrangeira (bacharelado) a fim de trabalhar com idiomas aplicando-os em traduções e interpretações ou veiculando à hotelaria. Mesmo com a transferência não fui poupado de cursar disciplinas que eu achava desnecessárias e insuportáveis. Até sofri muito com três disciplinas de literatura vernácula, pois freqüentava as aulas como que fizesse algo sobre pressão. Mas já finalizei essas matérias mais pesarosas e me sinto mais tranqüilo e direcionado para o que eu gosto. Hoje, me encontro com conhecimentos em língua inglesa, cinco semestres de francês, três semestres de italiano e começando agora com espanhol. Estou no penúltimo semestre e pretendo aproveitar meus conhecimentos lingüísticos em múltiplas possibilidades, mas a que eu mais evito é a educação, pois me julgo desmotivado e sem aptidão para lecionar.       


                                                                                                            Pedro Samuel de Moura Torres