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domingo, 18 de agosto de 2013

Piaget e sua teoria do desenvolvimento infantil: Sensório-motor (0 a 2 anos).




Piaget, o mais influente teórico da psicologia do desenvolvimento do século XX, teve grande participação e contribuição para o entendimento do processo de aprendizagem infantil. Em suas pesquisas, utilizava de observações naturalísticas e técnicas experimentais informais, examinando seus próprios filhos e logo em seguida uma população maior. Ele definia a inteligência como a competência de adaptação ao ambiente ou às situações novas. De acordo com as suas observações, Piaget concluiu que o processo de desenvolvimento cognitivo da criança sucede através de uma sequência de fases regulares e invariáveis, ou seja, há uma certa uniformidade na natureza do desenvolvimento, como se seguisse uma mesma sucessão de estágios. Porém, tais sequências dependerão da mediação entre a estrutura biológica inata da criança com a sua ação e experimentação no meio ambiente.

Piaget denominou o primeiro estágio do desenvolvimento cognitivo como o período sensório-motor, o qual se desdobra desde o nascimento até por volta dos dezoito meses ou dois anos de idade. Nessa fase a qual antecede a aquisição da linguagem, como o nome sugere: sensório de percepção, e motor de ações, a criança desenvolve gradualmente suas percepções imediatas, juntamente com a suas coordenações motoras, executando ações cada vez mais complexas; contudo, nesse período o infante ainda não se equipou da representação mental intrínsecas do pensamento, nem da linguagem. A inteligência elementar do bebê tende a progredir a partir dos seus simples e inatos reflexos os quais intercorrem por meio da percepção de modo vago sob o meio ambiente; tal percepção se torna cada vez mais complexa, distinta e precisa, levando-o, portanto, a empreender reações cada vez mais organizadas e sistemáticas. 


1 - Epistemologia Genética

            Epistemologia é a Filosofia da Ciência. A parte que estuda o fenômeno da ciência, do conhecimento. Genética significa a construção do conhecimento, a evolução que ocorre no organismo, na vida da criança, durante os estágios estudados por Piaget.

            A Epistemologia Genética busca responder a uma pergunta: Como o Homem, sozinho ou em conjunto, constrói o conhecimento? Ou seja, como é que passamos de um nível de conhecimento para um nível acima. E como a criança é o ser que, essencialmente, mais constrói conhecimento, ele fez pesquisas com crianças, mas sua pergunta é para todos os seres humanos. 

2 – Inteligência

            Para Piaget, inteligência deve ser definida enquanto “função” e enquanto “estrutura”. Enquanto função, para ele, a inteligência é uma adaptação. Os processos de inteligência referem-se à adaptação ao meio, à sobrevivência do indivíduo. E do ponto de vista estrutural, inteligência é uma organização de processos que permitem um nível de conhecimento, dependendo da complexidade dessa organização. Ou seja, o crescimento da inteligência não se dá pelo acúmulo de informações, mas sim pela reorganização das informações. Crescer é reorganizar a própria inteligência, para ter-se mais possibilidades de assimilação. 

3 – Conceitos sobre o processo da cognição

            3.1 – Assimilação

                Representa o processo da introdução ordenada de dados conhecidos ou novos na experiência, de acordo com os esquemas existentes em um indivíduo. Quando uma pessoa vai entrar em contato com um meio, um objeto de conhecimento, ela retira desse objeto algumas informações e essas informações novas causam um desequilíbrio no organismo, pois a principio o desconhecido lhe é um desafio que produz um conflito no esquema do organismo, no caso, nos esquemas cognitivos que a criança dispõem no dado momento em que se depara com uma experiência sensorial inusitada.

            3.2 – Acomodação

            É o processo que ocorre quando o indivíduo se defronta com um novo problema, a organização e os esquemas mentais que a pessoa tem, para entender o novo, é capaz de se modificar e se adaptar para dar conta das singularidades dos novos objetos.

            3.3 – Equilibração

                        A equilibração é um processo fundamental no desenvolvimento do pensamento e tem origem na necessidade que o homem sente de equilíbrio quando a criança se defronta com teses contraditórias e conflitos. Então através da assimilação e acomodação, a criança pode vencer as contradições e estabelecer o equilíbrio.

 
O período sensório-motor é dividido em seis fases:

Na primeira fase: O uso dos reflexos.


Compreende apenas o primeiro mês e é chamada de simples reflexos. A criança já tem uma simples estrutura mental trazida desde o nascimento que são os seus reflexos inatos, mecanismos hereditários, as primeiras tendências instintivas (respiração, nutrição e primeiras emoções (satisfação e insatisfação) os quais serão exercitados através da sua mediação com o meio ambiente, vindo então a se modificarem, a se elaborarem, tornando cada vez mais eficientes. Um dos primeiros contatos que o infante faz com o mundo é através da amamentação, desse modo, observa-se que a criança instintivamente já vem propensa a sucção, com leves movimentos na zona oral, como se por reflexo, buscasse a sua sobrevivência nutricional  pelo seio maternal.      
 
Na segunda fase: Reação circular primária, as primeiras adaptações adquiridas.

Se estende mais ou menos do primeiro até o quarto mês onde ocorre a coordenação de reflexos e respostas. É a fase dos primeiros hábitos motores, das primeiras percepções organizadas e dos primeiros sentimentos diferenciados onde a criança aos poucos passa a tomar controle sob seu corpo e isso começa por acaso quando ela leva a mão a boca involuntariamente, e descobre que aquela ação lhe provoca uma satisfação, o sensório e o motor atuando juntos, desse modo, o infante vai agindo através desses estímulos sensoriais os quais lhe impelirão a evoluir suas habilidades motoras. Se por acaso uma nova ação lhe trouxer sensação agradável, ela a repetirá (reação circular = atividade motora com fins sensoriais), por isso que ao descobrir que sugar a mão é prazeroso, se esforçará para manter a mão na boca. Também nessa fase o reflexo de orientação se desenvolve, a criança olha em direção ao que se escuta e os movimentos e direção das mãos se coordenam com a direção dos olhos. A criança já busca alcançar, apanhar e colocar objetos na boca.

Na terceira fase: Reação circular secundária e os procedimentos para prolongar espetáculos interessantes.

Por volta dos quatro aos oito meses, é o estagio da inteligência prática a qual os bebês dirigem sua atenção ao ambiente tanto para os objetos quanto para os resultados de suas ações. Começa a focar e experimentar o mundo externo no qual o infante se lança a engatinhar e a manipular objetos, torna-se cada vez mais empático com o seu entorno e começa a formar noções bem básicas sobre causalidade. Propositadamente repetem ações que trazem resultados interessantes e agradáveis, exemplo: um bebê de quatro meses que dá pontapés para balançar brinquedos suspensos ao berço para ouvir o som e ver os movimentos que ele produziu.
 
Reação circular secundária, porque o infante descobre que uma ação motora sua, pode lhe produzir sensações interessantes e daí ela vai aprimorando suas tentativas a cada esforço seu de repetição, mas o que diferencia da Reação circular primária é que na secundária as ações do bebê estão voltadas pra os resultados que ela causa no ambiente enquanto que na primária suas ações são direcionadas a descoberta e consciência dos movimentos do seu próprio corpo. As reações circulares secundárias também são aplicadas às vocalizações, em que o bebê tenta imitar sons que são selecionados pelos pais, ao reforçarem a emissão dessas vocalizações. 

Na quarta fase: Coordenação de esquemas secundários e sua aplicação a situações novas.

Entre oito a doze meses, a criança já desenvolveu as reações circulares secundárias na fase anterior e começam a formar novas totalidades de comportamento, já estando capacitada para coordenar seus vários esquemas a fim de atingir um objetivo(intencionalidade).Nessa fase a criança começa a formar melhor a relação entremeios e fins, por exemplo: ao mostrarmos uma bola a uma criança com 5, 6 meses de vida e depois colocarmos essa bola atrás de um obstáculo, a criança não terá a consciência de retirar o obstáculo, para depois pegar a bola. Já uma criança com 9 meses de vida, consegue idealizar esses passos, entende que retirar o obstáculo é um meio para se conseguir chegar até a bola, que é o fim.

Também já formou a noção de objetos permanentes a criança atribui a existência de objetos apesar de estarem fora do seu campo perceptivo, por exemplo: quando se coloca um objeto defronte a um brinquedo do seu interesse, ela já tem a noção de que o seu brinquedo está ali, porém recoberto por outro, então ela tem a iniciativa de ir e remover o objeto que a impedia de ver o brinquedo. Portanto, nessa fase, a criança começa pouco a pouco a armazenar representações visuais e sensoriais em sua memória e progressivamente passa a compreender a objetividade do mundo e que as coisas existem independente dela. 

Na quinta fase: A reação circular terciária e a descoberta de novos meios através da experimentação ativa.

Por volta dos doze aos dezoito meses, com os seus esquemas já desenvolvidos nas fases precedentes, a criança já age voluntariamente e passa a atuar ativamente experimentando e descobrindo o ambiente. Já desenvolveu a noção de espaço, por exemplo, se lhe derem uma mamadeira pelo avesso, ela já saberá situá-la na posição correta. A criança dessa fase tem extrema curiosidade e genuíno interesse por novidades, portanto, ela vive experimentando e explorando o mundo a sua volta. A criança faz bastantes experiências como soltar objetos para vê-lo cair, puxa brinquedos em sua direção com barbantes, suas atividades se tornam mais deliberadas, construtivas e originais. Piaget refere-se a esta fase como “descoberta de novos meios através da experimentação  ativa”. 

Na sexta e ultima fase: Invenção de novos meios através de combinações mentais.

Essa ultima fase ocorre um avanço cognitivo extraordinário, entre dezoito meses e dois anos de idade, a criança inicia a capacidade de responder ou pensar sobre objetos e eventos que não são imediatamente observáveis. A criança é capaz de representar os acontecimentos ausentes no campo perceptual através daquilo que Piaget chamou de imagens simbólicas. Por meio das combinações mentais (imaginação e ideias) a criança passa a inventar novos meios de atingir seus objetivos. Ela já possui imagens e símbolos em seus pensamentos e consegue solucionar pequenos problemas, já recorda, planeja, imagina e brinca de faz de conta. A criança pode, por exemplo: usar uma vara como instrumento para puxar um objeto para si. Nessa ultima fase, a criança se prepara para as adaptações intelectuais, simbólicas e conceituais que virá a desenvolver mais no próximo estágio pré-operatório.     

Conclusão

Por todo esse período sensório-motor que compreende desde o nascimento até em torno dos dois anos de idade, a criança vivencia enormes progressos cognitivos e seu desenvolvimento é gradual e contínuo.