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sábado, 13 de julho de 2013

História e análise de uma situação na sala de aula


História

 

Um menino, com a idade de 10 anos, estava repetindo pela terceira vez a quarta serie do ensino fundamental porque não gostava de algumas colegas e da professora, que era a mesma durante os anos que ele repetiu. A origem do conflito era um suposto ciúme que este aluno sentia em relação à professora por a professora supostamente defender e dar mais atenção a essas alunas do que a ele. Da parte das alunas havia certo preconceito com ele, o que fazia com que elas o isolassem.

Esse menino sofria pressão psicológica dentro de casa, por parte da mãe que prometia castigos e punições caso não estudasse e não fosse aprovado. O comportamento desse menino era violento no ambiente escolar, procurando se isolar desse ambiente e de tudo o que se relacionasse ao mesmo. Sua reação violenta com agressão física para as colegas e verbal para a professora, se restringia àquela aula, professora e colegas e às vezes em casa quando era obrigado a estudar.

A postura dessa professora na aula era democrática e tentava resolver a situação, mas não conseguia e não encontrava mais saídas.

OBS: O menino tinha três professoras, porém essa conduta era manifestada somente para uma dessas. A escola não tinha psicólogo, nem conselheiro.

Segundo a professora o aluno se fechava a qualquer tipo de tentativa para resolver o problema. Reagia com hostilidade às provocações das colegas e com a própria professora, como também as colegas reagiam em relação a ele. A professora simplesmente já não sabia mais como se aproximar a fim de entender e resolver a questão.  

Para as colegas de classe ele era um menino mal-educado e desajeitado, elas meramente não o suportavam e declaravam a todos com suas próprias palavras.

De acordo com o menino a professora dava mais atenção às alunas do que a ele. Ele não gostava das meninas porque eram “nojentas”, “tiravam muita onda”, “não sabiam nada”, “ninguém gostava delas”, “puxavam o saco da professora a qual sempre as protegiam”, “estou certo e ponto final”.

A sua mãe unicamente achava a professora ótima, a escola de boa qualidade e o menino era quem “procurava frescuras!”. Durante o ano, ela recebia vários bilhetes de convocação a escola a fim de resolver problemas devido ao comportamento hostil do seu filho.

 

Análise

 

 

Ainda que a aparente conduta da professora seja democrática, não se deixou claro os reais sentimentos por traz das motivações que a professora tinha ao dado aluno-problema. O nível de afetividade da relação entre a respectiva professora-aluno parece bloqueado por um preconceito que não se sabe de fato por qual das partes se originou. Todos apresentaram suas versões, mas sem concluir a origem real do problema. Teria realmente a professora demonstrado um “prediletismo” pelas meninas supostamente mais aplicadas? Se sim, seria isso um motivo razoável para o aluno cultivar tal comportamento? O que se observa é um aluno-problema que justifica seu comportamento inapropriado como sendo a professora a mantenedora do seu sentimento de rejeição, já que ele não reage da mesma forma com outras professoras. A principio, acredita-se que tudo começou a partir de sua implicância não resolvida com duas colegas de classe e, portanto vindo a ser colocado na posição de rejeitado pelo grupo e igualmente pela professora. Embora a professora sustente que o aluno criou um problema e não se permitia diálogos para corrigir a situação, não dá pra saber como é a relação e a afetividade entre eles e se o nível de compreensão e psicologia usada por ela seria o bastante para encontrar efetivamente o problema e resolvê-lo.

Naquele contexto acredita-se que a função do professor é somente ensinar deixando questões problemáticas de cunho psicológico para outro profissional e como a escola não se dispunha de profissionais dessa área, o problema caia todo em cima dos educadores. O aluno reage de suposta vitima a agressor, se sente injustiçado e rejeitado pelo grupo e nem tem consciência da causa da rejeição, já que em outros contextos ele tende a agir normalmente. Em um tom de preconceito, as suas colegas lhe designavam como um garoto sem educação, pois não tinha respeito com elas e se alterava até com a professora. Acredito que é um problema entre eles (os três alunos) que chegou a tomar proporções na sua vida estudantil. A professora parece interessada em resolver, porém encontra-se limitada ao dever de ensinar e não de trabalhar as questões emocionais e de relações interpessoais.

É necessário que a educadora em questão também reflita sobre até que ponto ela possa estar suscitando esse sentimento de rejeição que o aluno vem sofrendo e como ela deve trabalhar para evitar que esses sentimentos negativos venham a surgir na sala de aula. Seria ideal que a professora dialogasse pessoalmente com o garoto e as outras meninas para que eles possam vir a se entender, ou ao menos aprenderem a não trazerem suas questões pessoais para dentro da aula, pois isso tem repercutido negativamente no fluir da aula. A professora também deve desenvolver uma relação mais aberta e autentica com cada aluno deixando claro e demonstrando através de suas atitudes que ela não tem favoritismos e que ela está disponível a ajudar a todos eles.