As conquistas
e desenvolvimentos humanos se realizam a partir da sua experiência real, do seu
contato mais intimo com a realidade que se deseja apreender. Aprendemos com a
convivência, através da dialética entre o interno e o externo, errando e
acertando na tentativa sempre de ir mais além da nossa presente consciência. Ou
seja, existe uma dinâmica subjetiva entre o que o externo transmite e em como o
interno (pessoa) absorve e entende o ambiente através do seu filtro altamente
pessoal.
Assim, não é
diferente na arte de atuar, é necessário que o indivíduo, que realmente deseja
ser um ator, se lance ao imprevisto, tenha a coragem de expor-se no palco
“artificial”, pois só improvisando é que ele adquire azas para tal oficio, trazendo
consigo, seus inerentes aspectos naturais relacionados à suas experiências de
vida, a sua visão de mundo, e desse modo, o ator funciona como um veículo
transmissor de realidades, emoções e ideologias de vida comum a todos.
Ultrapassando
e superando a sua obscura subjetividade, o ator tem o sublime encargo de tornar
mais claro e inteligível, com suas expressões tanto contextuais, emocionais, verbais
quanto corporais, as realidades humanas, “o teatro real da vida”, recriando e
reinventado o universo.
Portanto, a
arte teatral, além de ser entretenimento de apreciação estética, é uma
atividade puramente humana que, ainda que seja de forma artificial, serve de
transporte social que revela, ressalta e demonstra as experiências humanas, construindo
conhecimentos particulares ao homem, enriquecendo mais a sua visão de mundo,
partindo do fragmentário ao holístico e desse modo humanizando todos os
aspectos existentes em nossa vida.
Toda cena traz
uma historia, um contexto e com eles, todas suas realidades, todas suas
intrínsecas ideologias, suas visões de mundo, seus conceitos e valores, seus
eventos e enredos. Tantos elementos da vida real sendo traduzidos para um
ambiente artificial, como o é o espetáculo teatral, nele depara-se com o desafio
de expressar em cenas separadas, todas as ações fragmentadas do espetáculo real
da vida.
E como as
experiências humanas são fragmentárias, tanto cronologicamente quanto
individuais, a arte teatral tem esse suntuoso desafio de tentar expressar cada ato,
cada movimento, cada emoção, cada evento num suposto esquema organizado. O
teatro é o pano de fundo de um panorama legítimo das experiências vivas e
estéticas, manifestando-se por todos os meios sensoriais, onde se tenta mostrar
e perceber o mundo em sua plenitude de cores e formas, de conteúdos, de
emoções, de ideais, de obras, comunicando significados transformadores e
estimuladores de consciências.
“a construção de uma cena pressupõe a
existência de uma história, isto é, de uma narrativa dividida em partes. Essas
partes são etapas em que se subdivide a ação- ou as ações- de uma cena. Assim
sendo, as ações, os acontecimentos que ocorrem ou que ocorreram ao longo do
tempo são importantes para a compreensão do que se passa em cena. Isso porque a
ação se desenvolve numa progressão de causa e efeito, que motiva ou justifica
uma determinada situação, ou melhor, uma cena. Mas nada acontece sem a
existência dos personagens. São eles que atuam para concretização dos
pensamentos e dos sentimentos de uma época, de um determinado momento
histórico. Esses personagens são cuidadosamente trabalhados e ensaiados pela
figura do diretor, que, como elemento harmonizador do processo de criação,
procura concretizar a cena” (BIASOLI, 1999, PG. 46)
UMA
APRECIAÇÃO ESTÉTICA DA PEÇA “LENDA DAS YABÁS”
O espetáculo “Lenda das Yabás” está em cartaz no Centro Cultural
Ensaio, no bairro do Garcia, até o dia 30 de Janeiro, aos sábados e domingos,
às 20h. A peça teatral em estudo conta a história da lenda das Yabás,
apresentando também outros Orixás como Yemanjá, Exu, Xangô, Ogun, Omolu e
Oxalá.
Com texto e direção de Fábio S. Tavares, encenação conta,
ainda, com a exposição ‘Bahia Minha Preta‘, que traz objetos de personalidades
baianas como os turbantes de negra Jhô, esculturas artesanais, exibição de fotos e
filmes,quadros sobre o processo de ensaios e
laboratórios da peça, objetivando homenagear a cultura Afro da Bahia e suas raízes.
Tais elementos também
permitem que o público acompanhe o processo de feitura teatral, questão muito
interessante para a compreensão de como o espetáculo foi concebido. De acordo com a enciclopédia livre
Wikipédia, Iabá, Yabá ou Iyabá, cujo termo quer dizer Mãe Rainha,
refere-se aos orixás femininos, Yemanjá e Oxum. Vale lembrar que no Brasil esse
termo é utilizado para definir todos os orixás femininos em geral, substituindo
o termo Obirinxá (orixá feminino).
O enredo aborda a história da ancestralidade da
cultura afro-brasileira, bebendo da sua fonte mais pura ao se utilizar das
lendas de 04 (quatro) Yabás: Yansã, Obá, Ewá, Nanã e Oxum. Com a intenção de
envolver o público, os atores realizam diálogos intensos e diretos, visando humanizar
as personagens centrais, as divindades da cultura africana, e captar a atenção
absoluta do espectador quase transpondo-os para a encenação.
Outro aspecto
importante para ser destacado diz respeito à musicalidade presente na encenação.
Todo o som é produzido ao vivo pelo elenco em função da expressão dramática.
Voz, atabaques e agogôs, criam um ambiente propício para cada cena, dando leveza
ou peso necessário para a ocasião.
Há de se observar também a forte presença da dança, em
especial a contemporânea, com seus diversos elementos, fundida com o
naturalismo da interpretação, sem perder, contudo, a dinâmica cênica que o
texto reclama. As artes
plásticas também são bem valorizadas na composição do espetáculo, ressalta-se
que cenários e figurinos são artesanais, utilizando-se de galhos de arvores,
folhas secas, adereços elaborados com sementes, entre outros.
Mas a pedra fundamental
é o espetáculo que trás uma historia que se passa num passado e tempo
indefinido e mostra a fúria de um Deus humano que age de acordo com suas
emoções. Revoltado com a destruição e discórdias que os homens vêm causando a
aiê (Terra), Olorum resolve infertilizar todas as mulheres (as Yabás) para
extinguir a raça humana e prender a chuva para que a Terra fique seca- isso é
representado pelos galhos secos e tom pastel que compõem o cenário dando
aspereza a encenação - pois a natureza retrata é a presença concreta do Deus
abstrato. Nanã, que é a mais antiga dos orixás, surge no texto como uma grande
ialorixa e sacerdotisa que conduz os festejos, impostos por Exu, em
agradecimento por este ter conseguido chegar a olorum desvendando os segredos
para que o Deus maior devolvesse a paz a Terra. O espetáculo traz os Orixás em
forma humana e enfatiza que todo ser vivo, por possuir uma parcela divina, é
capaz de se conectar com Deus com bases na energia e ações emitidas a outro ser
e por isso Exu conseguiu chegar a Olorum e descobrir os segredos para trazer a
concórdia a Terra. O mesmo Exu que trará a paz também conduz a ciumenta Oxum,
causando intrigas e discórdias entre as demais Yabás, utilizando da obsessão
que mesma sente pelo amor de Xangô, que por sua vez vive com suas quatro
mulheres no palácio onde se passa toda a historia. (http://lendadasyabas.blogspot.com.br/p/relase.html,
2013)
Vale, ainda, salientar
que toda a história se dá em espaços e tempos nada ou pouco definidos, conforme
consta no release do blog. O público conta apenas com as falas entrelaçadas, os
acontecimentos e o contexto criado pelo cenário e pelas personagens.
Cada uma das Yabás com
seus signos traz em si a representatividade da essência e força feminina que
ganham destaque na encenação que tem um misto de religiosidade popular e
sensualidade profana. Yansã representa a figura da mulher contemporânea e
independente, que age de acordo com a sua intuição e vontade sem se curvar aos
caprichos ou preconceitos de uma sociedade (e por isso é a preferida de Xangô).
Obá representa a evolução feminina em busca da igualdade, sua personalidade vai
da típica dona de casa que se esmera ao máximo para agradar seu marido - sendo
vítima de diversas injustiças - até a descoberta da força que muitas mulheres
trazem dentro de si e desconhecem. A grande lição de Oba vem quando ela dá um
basta na situação que vive e com isso se torna uma grande guerreira. A menina
Ewá, representa o romantismo e inocência feminina. Demonstra sua força na
revolta pela desilusão amorosa que sofre após cair numa das muitas armadilhas
criadas por Exu. Ela é salva da fúria de Yansã por Oxossi que a leva para a
mata e lá descobre essa força e volta para se vingar de Xangô que tentou
seduzi-la. Oxum, sempre orientada por Exu, ao longo da história se utiliza da
sua beleza para seduzir e orquestrar situações com o intuito de afastar as
outras mulheres de Xangô, até que Oxalá vem ao reino para selar a paz e
transformar os homens em orixás. (http://lendadasyabas.blogspot.com.br/p/relase.html,
2013).
Apreciar a referida
encenação remete-nos a compreender melhor o papel criativo do ator e o processo
de releitura de todo o elenco. Interessante se notar que foram lançados
semanalmente nas redes sociais vídeos de curta duração, com imagens do processo
de criação ao longo dos 10 (dez) meses de ensaios. De acordo com a companhia de
teatro, tal ação foi realizada com o intuito de enfatizar, sobretudo, o corpo e
o leque de expressões possíveis em que o ator se realiza na cena: da dança à
pantomima. Na montagem em estudo, percebe-se
que as personagens da
trama nascem do natural e não do realismo (numa interpretação
tipicamente stanislavskiana), buscando também uma técnica que envolve o ator na
sua totalidade: mente, corpo, gesto, palavra, espírito, matéria, interno,
externo (tendo inspiração na obra do teórico Grotowski). Elas são, no entanto,
espelhos do real, mas distorcidos pelo manejar poético do ator e da pulsão do
seu gestual no espaço.
No que
tange à atuação do artista e o uso de técnicas teatrais, Viola Spolin (1982)
ratifica que “o ator realmente sabe que há muitas maneiras de fazer e dizer uma
coisa, as técnicas aparecerão (como deve ser) a partir do seu total.” (SPOLIN,
1982, pg. 13). Acredita que é por meio da consciência direta e dinâmica de uma
experiência no palco que a experimentação e as técnicas são devidamente unidas,
de forma espontânea, libertando o artista para o padrão de comportamento
fluente.
REFERÊNCIAS
Espetáculo Lenda das Yabás. Blog da peça teatral: textos e imagens.
Disponível em: <http://lendadasyabas.blogspot.com.br/>.
Acessado em: 28 de janeiro de 2013.
Wikipédia: a enciclopédia livre. Significado do termo “Yabás”.
Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Yabas.
Acessado em: 28 de janeiro de 2013.
BIASOLI, Carmem Lúcia A. A história constrói a cena. In: A
formação do professor de arte: do ensino à encenação. Campinas: Papirus, 1999.
SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 1982.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. As ideias estéticas de Marx; tradução
de Carlos Nelson Coutinho. 2ª ed. Rio de Janeiro, Paz e terra, 1978.
(Pensamento crítico, v. 19).
SLADE, Peter. O jogo dramático infantil; (tradução de Tatiana Belinky; direção de
edição de Fanny Abramovich). São Paulo: Summus, 1978. (Novas buscas em
educação, v. 2)
Existem
várias tendências pedagógicas, cada uma com sua própria visão sobre qual seria
a melhor forma de ensino e diferentes concepções de homem e sociedade; diferentes
pressupostos sobre o papel da escola, aprendizagem, relações professor-aluno,
técnicas pedagógicas, etc, sendo que algumas são mais aceitas do que outras. As
tendências pedagógicas não aparecem em sua forma pura e nem sempre são
mutuamente exclusivas, nem conseguem captar toda a riqueza da prática escolar. As
tendências pedagógicas são dispostas em liberais e progressistas:
A
- Pedagogia liberalB -
Pedagogia progressista
1-
Tradicional1 - Libertadora
2-
Renovada progressivista2 - Libertária
3-
Renovada não-diretiva3 – Crítico-social dos conteúdos
4-
Tecnicista
Na maioria das escolas, observa-se que a tendência
tradicional é uma das mais aplicadas desde sempre e, com o advento da pedagogia
nova, nota-se que ela permanece apenas no campo das ideias, já que a realidade
em que os professores atuam é tradicional, não havendo condições de a escola
nova ser eficientemente instalada. Atualmente, a tendência tecnicista tem sido
bastante difundida, mas, como resultado, veem-se alunos “produzidos” para o
mercado de trabalho sem que “de fato” estejam preparados para lidarem com o
mesmo. O professor se encontra em uma situação contraditória, pois constata que
suas condições concretas não satisfazem as ideologias requeridas, com a
pedagogia oficial que sustenta a produtividade e a racionalidade do sistema e
do trabalho, enfatizando os meios tecnicistas, o professor é obrigado a
submeter-se a esse sistema. É aí o dilema em que se encontram os professores,
seus ideais são modernizadores, mas em meio a uma realidade de recursos
tradicionais.
A tendência tecnicista surgiu na segunda metade do século XX nos Estados Unidos
e após 1964 no Brasil. Intenciona-se, através desta, ajustar a educação às
exigências da sociedade industrialmente e tecnologicamente desenvolvida. O
autor que mais proeminentemente contribuiu para essa nova tendência foi o psicólogo
americano Frederich Skinner, nascido a 20 de março de 1904 na pequena cidade de
Susquehanna, Pennsylvania. Skinner criou uma máquina de ensino onde o estudante
poderia aprender, pouco a pouco, encontrando as respostas corretas que lhe
davam um prêmio imediato. Preocupava-se, tão somente, em determinar como o
comportamento era causado por forças externas. Ele acreditava que tudo o que
fazemos e que somos, é moldado pela nossa experiência de punição e recompensa.
Essa nova tendência visa moldar o indivíduo para o
meio empresarial, adaptando comportamentos com o escopo de acatar as
necessidades cada vez maiores do mundo capitalista de mão de obra técnica
especializada, o que implica em o aprendizado do aluno não concorrer para que
ele possa apreender a realidade em que está inserido e assim a possa
transformar, mas sim o capacitar a desenvolver funções técnicas para servir o
mercado. Nessa tendência, a relação professor - aluno se dá por meio de
avaliações de trabalhos práticos, averiguando passo a passo o cumprimento das
tarefas dadas, ou seja, o relacionamento decreta distanciamento afetivo e não
está voltado para a abertura de discussões e debates. O aluno é preparado
mecanicamente, como uma máquina, um robô configurado para desempenhar papéis de
condicionamento operante, ou mesmo animais que eram premiados apos serem induzidos
a realizar uma certa tarefa. A exemplo da Copa do Mundo que está para acontecer
em 2014, muitos estão aprendendo mecanicamente a “falar” inglês para este
grande evento.
O
texto de Adolfo Sanchez Vásquez “As ideias estéticas de Marx” aborda sobre a
hostilidade da ordem capitalista sobre a verdadeira intenção genuína da arte,
pois que a mesma visa humanizar as relações interpessoais e com o mundo, e o
artista se sente hostilizado pela motivação burguesa com a mídia artística, a
que a utiliza para fins friamente econômicos. Segundo o texto nem sempre a
burguesia se moveu com essa ideologia capitalista em relação à arte, pois no
Renascimento quando a burguesia se ascendia na sociedade, ela se apropriava da
arte para expressar suas ideais contra o feudalismo, utilizando-a, portanto como
arma espiritual. Entretanto, a liberdade e os princípios buscados pela
burguesia se revelou acessíveis apenas a uma minoria, o que distorce todos os
pensamentos bem elaborados de igualdade e humanização global.
O
texto demonstra e reflete com um olhar critico sobre como os valores
massacrantes do capitalismo emergente no mundo desde a revolução industrial,
tem sido o veiculo de deturpação para as sensíveis e desgostosas almas
românticas que sempre buscaram trazer valores estéticos e elevados que
transcendessem e dessem reais sentidos transformando a visão de um mundo
abatido pela vida banalizada e pelo seco cotidiano preenchido pela desordem e
vácuo existencial. A arte tem a função social de atingir a toda humanidade para
que se humanizem em toda sua integridade espiritual. Ela deve ser um veículo
onde fosse possível que o homem manifestasse as diversas condições humanas
vitais se autoafirmando como seres humanos. Evidencia-se também que atualmente
há uma nova arte, porém impopular, pois é direcionada para uma minoria
privilegiada, já que a grande massa é inapropriada e desprovê-se de
entendimento e recursos o bastante para se inserir e assimilar tais ideologias.
Na
contemporaneidade, a arte versus o capitalismo traz a ideia sobre a influência
direta das mídias na formação de consciências e mentalidades das massas que
consomem seus produtos sem mesmo examinarem as mesmas e suas intenções por
traz. Desse modo, na situação comodista em que se encontram, acabam se
submetendo indiscutivelmente e cegamente às impositivas ideias maquinadas pela
publicidade maliciosamente capitalista e como resultado perdem a noção
fundamental dos valores estéticos, morais e espirituais. Como já se afirmou:
"Toda unanimidade é burra", essa declaração parece se aplicar
perfeitamente a essa absurda situação, na qual se verifica que a maioria das
pessoas prefere e se atrai por banalidades sem conteúdos e por propriedades que
não edifiquem nem elevem seus espíritos. Dessa forma, a arte por essência se
desvirtua da sua finalidade primordial, que seria levar e moldar as
consciências para uma elevação estética, ética e moral tornando-os mais
humanizados. O homem massa consumidor da mercantil mídia abrangente se torna
coisificado e nessa inepta condição, deixa-se ser manipulado virando
massificadas marionetes cada vez mais consumistas e alienadas em seu vazio
existencial.
O
filme “sede de viver” revela um artista que viveu entre a intensa busca pela perfeição
das suas obras e no seu desesperador estado psicológico. Começando sua vida
profissional como semeador da fé por influencia do seu pai, Theo o resgata da
sua primeira desilusão com os dogmas impostos pela igreja. Van Gogh decide
dedicar-se de coração às suas pinturas entregando-se em busca da estética ideal.
Sentindo-se rejeitado pela sua prima que se tornou de imediato a mulher da sua
vida, sempre com seu jeito muito intenso e profundo em tudo o que vivia, ele se
entregava a um estado depressivo e solitário. Profundamente fechado em seus
pensamentos e sentimentos projetava suas potencialidades em suas obras,
isolando-se em prol da sua dedicação profissional o que o inseriu num mundo de
solidão e infelicidades. Toda a expressão da sua genialidade extravagante
através das suas pinturas pareciam equivalente ao seu intenso e visceral modo
de enxergar o mundo, ao seu rompante temperamento. Exagerava em cores fortes
como se ele enxergasse a natureza em seu pleno brio. Ele agia motivado
exclusivamente pelos seus reais sentimentos esquecendo-se de adequar-se às
exigências externas de atingir reconhecimentos mercantis. Ele doava-se de corpo
e alma à sua arte, não colocando-a como ambição comercial, mas como ambição
espiritual e estética.
Como
diz Adolfo Vásquez em “O capitalismo e a arte de massas”: não apenas o
homem-massa perde com isso: é uma perda para todos e substancialmente para os
homens verdadeiros que intencionam trazer uma nova ordem social legitimamente
humanizada. O que torna a relação entre o homem-massa e a arte genuína como uma
comunicação entre surdos, onde a arte verdadeira deixa de ser apreciada. Essa
ofuscação faz com que o público escolha as obras menos sólidas do ponto de
vista estético no lugar de eleger aqueles mais valorosos esteticamente.
Sendo assim, Van Gogh aparece como um verdadeiro artista em tal ponto de vista,
pois suas obras permaneceram sem nenhum reconhecimento naquele tempo, a
cegueira do momento já atuava ofuscando artistas que só viriam a ser aceita
depois de sua morte. Van Gogh foi um verdadeiro artista também no que concerne
à sua entrega emocional e total a sua obra onde seu real objetivo era
satisfazer suas necessidades emocionais e estéticas sem nenhuma pretensão
comercial, mesmo se suas obras fugissem dos padrões exigidos pelo mercado, se
agradasse ou não, sua única e real pretensão era a de unir-se em sinestesia com
a sua própria arte, projetando-se e tornando-se o seu próprio objeto de
criação.